Lula recebe líder europeia e comemora acordo UE–Mercosul com discurso de protagonismo

Lula recebe líder europeia e comemora acordo UE–Mercosul com discurso de protagonismo

Presidente celebra avanço histórico do tratado, mas deixa assinatura formal para o chanceler e evita cerimônia ao lado de outros líderes do bloco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, na tarde desta sexta-feira (16), no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O encontro marca a celebração política do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, fechado após mais de duas décadas de negociações. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também foi convidado, embora sua presença ainda não estivesse confirmada até o início da agenda.

De acordo com o Palácio do Planalto, a reunião servirá para tratar de temas da agenda internacional e alinhar os próximos passos do tratado, cuja assinatura oficial ocorrerá neste sábado, em Assunção, no Paraguai. Apesar de ter desempenhado papel central nas negociações, Lula não participará da cerimônia, sendo o único chefe de Estado do Mercosul ausente no evento. O governo brasileiro atribui a decisão à escolha de última hora do Paraguai de elevar o ato ao nível presidencial.

Com isso, a representação do Brasil ficará sob responsabilidade do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Já os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi, confirmaram presença. O argentino Javier Milei também deve comparecer — um detalhe que, nos bastidores, ajudaria a explicar a opção de Lula por manter distância da solenidade.

Para o governo brasileiro, o encontro desta sexta tem forte valor simbólico. A avaliação é de que se trata do momento ideal para Lula reforçar sua imagem como principal articulador do acordo, além de garantir o registro político e fotográfico ao lado de Ursula von der Leyen, sem dividir o palco com líderes com quem mantém relações mais tensas.

Desde que reassumiu a Presidência, Lula buscou assumir o papel de protagonista nas tratativas com a União Europeia, tentando destravar resistências históricas, sobretudo de setores agrícolas europeus contrários ao acordo. Em dezembro de 2025, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, o presidente tentou concluir o tratado antes da transição da presidência rotativa do bloco para o Paraguai. O consenso, porém, só foi alcançado semanas depois, mesmo diante da oposição de países como a França.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia criará uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, reunindo economias que somam cerca de 30% do PIB mundial e um mercado potencial de mais de 720 milhões de pessoas.

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