
Michelle Bolsonaro ironiza revista sobre fusca em meio ao julgamento de Bolsonaro
Ex-primeira-dama brinca sobre tamanho do veículo enquanto STF julga ex-presidente e outros réus por trama golpista
Enquanto a Primeira Turma do STF analisava o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aproveitou suas redes sociais para fazer uma ironia sobre a capa de uma revista que mostrava o capô de um fusca.
“Vocês acham que, na frente de um Fusca – onde fica o estepe – cabe um homem de 1,85m? Pois bem. Hoje meu fusquinha foi para a oficina e tivemos que abrir a frente só para conferir se o Jair não estava escondido lá! Do jeito que as coisas andam, daqui a pouco pedem até para abrir o porta-luvas”, escreveu Michelle no Instagram.
A postagem acontece enquanto o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, determinou reforço no monitoramento da prisão domiciliar de Bolsonaro durante o julgamento. A Polícia Penal do Distrito Federal deve inspecionar todos os veículos que saírem da residência do ex-presidente, incluindo porta-malas e compartimentos internos.
O histórico do caso remonta à campanha de 2022, quando Bolsonaro, após perder a eleição, reuniu ministros e embaixadores estrangeiros e questionou o sistema eleitoral brasileiro, acusando fraude. Apesar de admitir a derrota, apoiadores bloquearam estradas e acamparam em frente a quartéis, pedindo intervenção militar.
Investigações da Polícia Federal mostraram que Bolsonaro e aliados — conhecidos como ‘núcleo 1’ — planejaram formas de reverter o resultado eleitoral. Documentos preparados pelo ex-presidente serviriam de base jurídica para a ruptura institucional. Ele também se reuniu com chefes das Forças Armadas e tinha conhecimento de planos que incluíam ameaças à vida do presidente eleito Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.
Entre dezembro de 2022 e fevereiro de 2024, apoiadores mantiveram acampamentos, aumentaram manifestações e invadiram os Três Poderes da República, em Brasília, tentando pressionar uma intervenção militar. A PF conduziu operações — Tempus Veritatis e Contragolpe — que trouxeram à tona o envolvimento direto de Bolsonaro na trama, baseando a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentada ao STF em fevereiro de 2025.
Em março, Bolsonaro e os demais envolvidos se tornaram réus, acusados de cinco crimes que podem somar até 43 anos de prisão:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado com grave ameaça ao patrimônio da União;
- Deterioração de patrimônio histórico tombado.
Os advogados do ex-presidente defendem que as ações descritas são políticas, preparatórias, sem valor criminal. Bolsonaro admite ter discutido possibilidades com militares após a derrota eleitoral, mas nega qualquer intenção de romper a democracia e afirma que golpe não se faz sem tanques nas ruas.