
Lula recua da “taxa das blusinhas” em ano eleitoral e tenta recuperar popularidade
Após aumento de impostos e avanço do endividamento, governo estuda zerar cobrança sobre compras internacionais para reduzir desgaste político
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma medida provisória para acabar com a chamada “taxa das blusinhas”, imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A mudança, que deve ser anunciada ainda em maio, acontece em meio ao avanço da impopularidade do governo e à pressão eleitoral de 2026.
A decisão vem logo após o lançamento do novo pacote de renegociação de dívidas das famílias, apelidado de “Desenrola 2.0”, criado para tentar aliviar o endividamento crescente da população brasileira. Críticos do governo afirmam que Lula tenta reverter medidas impopulares adotadas pela própria equipe econômica para recuperar apoio popular antes das eleições.
A chamada “taxa das blusinhas” virou um dos temas mais criticados nas redes sociais e atingiu diretamente consumidores de baixa renda e jovens que costumam comprar produtos baratos em sites internacionais. O próprio Lula admitiu recentemente que considerava a cobrança “desnecessária” e reconheceu o desgaste político causado pela medida.
Apesar disso, o imposto foi defendido anteriormente pelo governo federal e pela equipe econômica liderada pelo ministro Fernando Haddad. Integrantes do Planalto atuaram para aprovar a taxação no Congresso, sob argumento de aumentar arrecadação e proteger o varejo nacional. Agora, com a proximidade das eleições, o discurso mudou.
A oposição acusa o governo de usar estratégias eleitoreiras para tentar recuperar popularidade após uma sequência de medidas econômicas consideradas negativas pela população, incluindo aumento de impostos, alta do IOF e crescimento do custo de vida. Nas redes sociais e fóruns online, muitos usuários apontam que o governo primeiro criou a cobrança e agora tenta se apresentar como responsável pela solução do problema.
Além da pressão política, o governo enfrenta críticas sobre o aumento da dívida pública e do endividamento das famílias brasileiras. Analistas avaliam que o recuo na taxação pode ser parte de uma tentativa de reduzir rejeição entre consumidores e eleitores mais jovens, um dos públicos mais afetados pela medida.
Enquanto aliados defendem a retirada do imposto como uma forma de aliviar o bolso da população, críticos enxergam a mudança como uma manobra política em pleno ano eleitoral.