
Lula volta a atacar Bolsonaro e usa ofensa pessoal para justificar veto
Lula compara Bolsonaro com ‘cachorro’ e diz que ele ‘tentará morder’ se for solto
Presidente compara ex-mandatário a “cachorro” e insiste em discurso de ódio ao defender manutenção da prisão
Mais uma vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou pelo ataque pessoal em vez do debate institucional. Ao comentar o veto ao chamado PL da Dosimetria, Lula comparou o ex-presidente Jair Bolsonaro a um “cachorro louco” e afirmou que ele “tentará morder alguém” caso deixe a prisão — uma declaração carregada de agressividade e desprezo, típica do tom que o petista tem adotado sempre que se refere ao adversário político.
Sem citar Bolsonaro diretamente, Lula reforçou a narrativa de que o ex-presidente representaria uma ameaça permanente, mesmo já condenado e privado de liberdade. Segundo ele, soltar Bolsonaro seria desmoralizar o Supremo Tribunal Federal, numa tentativa clara de pressionar o Congresso e a opinião pública por meio do medo e da retórica exagerada.
Retórica inflamada e acusação sem freio
Durante entrevista à TV Aratu, na Bahia, Lula afirmou que Bolsonaro teria participado de um suposto plano para assassinar autoridades, repetindo acusações já exploradas politicamente pelo governo e pelo STF. O presidente fez questão de enfatizar que as denúncias teriam partido de ex-aliados do próprio Bolsonaro, reforçando um discurso de condenação moral absoluta, sem espaço para ponderações jurídicas ou institucionais.
A fala não causou surpresa. Sempre que o tema Bolsonaro surge, Lula abandona a postura presidencial e recorre à provocação, ao deboche e à desumanização do adversário, alimentando ainda mais a polarização que diz combater.
Veto político travestido de defesa da democracia
O veto integral ao PL da Dosimetria foi assinado por Lula durante um evento simbólico que marcou os três anos dos atos de 8 de janeiro. A escolha do momento e do palco deixou claro o objetivo: transformar uma decisão técnica e legislativa em bandeira política, usando Bolsonaro como espantalho para mobilizar apoiadores.
O projeto, aprovado pelo Congresso, buscava rever critérios de cálculo de penas e progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Para governistas, a proposta abriria margem para revisão de condenações. Para críticos do governo, no entanto, o veto escancara a disposição de Lula em interferir politicamente no debate penal, desde que isso sirva para manter Bolsonaro como alvo permanente.
Ataque recorrente, país em segundo plano
Questionado sobre a possibilidade de o Congresso derrubar o veto, Lula se esquivou, afirmando que o problema seria dos parlamentares. Ainda assim, deixou clara sua posição: Bolsonaro deve continuar preso, custe o que custar.
Enquanto o país enfrenta desafios econômicos, sociais e institucionais urgentes, o presidente insiste em governar olhando para o retrovisor, fazendo de Bolsonaro o centro do discurso e usando ataques pessoais como ferramenta política. Para muitos, trata-se menos de defesa da democracia e mais de obsessão política, repetida sempre que Lula encontra um microfone.