
Lula zera “taxa das blusinhas” em ano eleitoral após desgaste político e críticas ao imposto criado pelo próprio governo
Medida assinada por Lula elimina imposto federal sobre compras da Shein, Shopee e AliExpress e reacende debate sobre arrecadação, popularidade e eleições de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (12) uma medida provisória que acaba com o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”.
A decisão passa a valer imediatamente após publicação no Diário Oficial da União e beneficia consumidores que compram produtos em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
A medida ocorre em meio ao aumento da pressão popular contra a cobrança e em um cenário de forte desgaste político para o governo federal às vésperas do debate eleitoral de 2026.
Lula revoga imposto criado durante sua própria gestão
A decisão gerou repercussão política porque o imposto havia sido aprovado pelo Congresso e sancionado pelo próprio governo Lula em 2024.
Na época, a equipe econômica defendia a medida como necessária para combater irregularidades em importações e reduzir a desigualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Agora, após meses de críticas nas redes sociais e queda na popularidade da medida, o governo decidiu voltar atrás.
Para opositores, a revogação mostra uma tentativa de reduzir danos políticos em ano pré-eleitoral. Críticos afirmam que o governo primeiro aumentou impostos sobre consumo popular e depois recuou diante da reação negativa da população.
O que muda com o fim da “taxa das blusinhas”?
Com a nova medida provisória, compras internacionais de até US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de importação de 20%.
Na prática, consumidores devem perceber redução no preço final de produtos como:
- Roupas
- Acessórios
- Itens de beleza
- Pequenos eletrônicos
- Utilidades domésticas
Mesmo com o fim da cobrança federal, o ICMS estadual continua sendo aplicado normalmente. Em alguns estados, a alíquota pode chegar a 20%, o que significa que os produtos importados ainda continuarão sofrendo tributação.
Frete internacional e variação do dólar também seguem influenciando os preços.
Governo diz que medida ajudou a combater contrabando
Durante cerimônia no Palácio do Planalto, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o período de cobrança serviu para regularizar o setor e aumentar o controle sobre importações.
Segundo ele, o governo conseguiu combater irregularidades e estruturar melhor o monitoramento das plataformas internacionais.
“Conseguimos combater o contrabando e regularizar o setor”, declarou Ceron ao anunciar a medida.
Desgaste político pressionou governo Lula
A “taxa das blusinhas” se transformou em um dos temas mais criticados da atual gestão nas redes sociais.
O imposto passou a ser associado diretamente ao aumento do custo de produtos baratos comprados pela população de menor renda, especialmente jovens consumidores acostumados com marketplaces internacionais.
Levantamento da AtlasIntel mostrou que 62% dos brasileiros consideravam a taxa um erro do governo, enquanto apenas 30% avaliavam a medida positivamente.
Dentro do próprio governo houve divergências. Enquanto integrantes da área econômica defendiam a manutenção da cobrança, o próprio Lula chegou a classificar o imposto como “desnecessário”.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, admitiu recentemente que a medida provocou forte desgaste político para o governo petista.
Governo arrecadou bilhões antes de zerar imposto
Apesar das críticas, a cobrança gerou forte arrecadação para os cofres públicos.
Dados divulgados pela Receita Federal mostram que o imposto arrecadou bilhões desde sua implementação, ajudando o governo na tentativa de melhorar as contas públicas e atingir metas fiscais.
Críticos apontam contradição no fato de o governo extinguir a cobrança apenas depois de arrecadar valores elevados e sofrer desgaste popular.
Para aliados do governo, no entanto, a medida cumpriu seu papel de organizar o setor e agora pode ser flexibilizada sem comprometer o controle das importações.
Indústria nacional defendia manutenção da taxa
Embora consumidores comemorassem o fim da cobrança, parte da indústria brasileira defendia a continuidade do imposto.
A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a taxação ajudou a proteger empregos e reduzir a entrada de produtos estrangeiros vendidos a preços muito abaixo do mercado nacional.
Segundo estudo divulgado pela entidade, a medida teria evitado bilhões em importações e preservado milhares de empregos no Brasil.
Empresários do setor varejista também alegavam concorrência desleal das plataformas asiáticas.
Taxa das blusinhas virou símbolo da crise de popularidade
O debate sobre a “taxa das blusinhas” ultrapassou a discussão econômica e se transformou em símbolo político do desgaste do governo Lula na internet.
Memes, críticas e campanhas contra o imposto viralizaram nas redes sociais nos últimos meses, ampliando a pressão para que o Planalto revisasse a medida.
Agora, ao zerar o imposto em pleno cenário pré-eleitoral, o governo tenta reduzir a rejeição popular e melhorar sua imagem junto ao eleitorado mais jovem e consumidor digital.
Ainda assim, adversários políticos continuam criticando a mudança e afirmam que o governo apenas corrigiu um problema criado por ele próprio.