
Lula revoga “taxa das blusinhas” após arrecadar mais de R$ 9 bilhões em menos de dois anos
Governo Lula encerra imposto sobre compras da Shein, Shopee e AliExpress após pressão popular e críticas nas redes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (12) a medida provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
A decisão passa a valer já nesta quarta-feira (13) e representa uma mudança importante na política de importação criada pelo próprio governo Lula durante o programa Remessa Conforme.
A revogação acontece depois de quase dois anos de críticas de consumidores, influenciadores digitais e pequenos empreendedores que reclamavam do aumento no preço de produtos importados baratos.
O que era a “taxa das blusinhas”?
O apelido surgiu nas redes sociais para se referir ao imposto de importação aplicado sobre compras internacionais de pequeno valor, especialmente roupas, acessórios e eletrônicos comprados em sites estrangeiros.
A cobrança de 20% foi implementada dentro do programa Remessa Conforme, criado para aumentar o controle da Receita Federal sobre plataformas internacionais e combater irregularidades tributárias.
Na época, o governo argumentou que empresas brasileiras enfrentavam concorrência desleal, já que varejistas nacionais pagavam mais impostos do que marketplaces estrangeiros.
Lula revoga imposto que ele mesmo sancionou
A decisão chama atenção porque o próprio Lula havia sancionado a lei aprovada pelo Congresso Nacional que autorizou a taxação em 2024.
Mesmo tendo validado a medida, o presidente chegou a classificar a cobrança como “irracional” em declarações anteriores.
Agora, diante da forte rejeição popular e do desgaste político causado pelo tema, o governo decidiu voltar atrás.
Críticos da medida afirmam que o imposto afetou principalmente consumidores de baixa renda, que utilizavam plataformas internacionais para comprar produtos mais baratos.
Já setores da indústria nacional defendiam a manutenção da cobrança para proteger empresas brasileiras da concorrência asiática.
Quanto o governo arrecadou com a taxa das blusinhas?
Segundo dados divulgados pelo governo federal, a cobrança arrecadou mais de R$ 9 bilhões em menos de dois anos.
Somente nos primeiros meses de 2026, o imposto gerou quase R$ 1,8 bilhão aos cofres públicos — um crescimento de aproximadamente 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No acumulado recente, a arrecadação do imposto de importação ultrapassou R$ 5 bilhões apenas em 2025, ajudando o governo na tentativa de melhorar as contas públicas e atingir metas fiscais.
Especialistas apontam que a taxação virou uma importante fonte de receita para o Ministério da Fazenda em meio à pressão por aumento da arrecadação.
O que muda para quem compra na Shein, Shopee e AliExpress?
Com a nova medida, compras internacionais de até US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de 20%.
Na prática, isso reduz o preço final de itens populares vendidos nas plataformas estrangeiras, incluindo:
- Roupas
- Acessórios
- Produtos de beleza
- Pequenos eletrônicos
- Itens domésticos
Apesar da mudança, o ICMS estadual continua sendo cobrado normalmente. Em alguns estados brasileiros, a alíquota chega a 20%, o que significa que as compras internacionais ainda continuarão tendo tributação.
Além disso, frete internacional e variação do dólar seguem impactando os preços finais.
Governo diz que medida ajudou a combater irregularidades
Ao anunciar o fim da cobrança, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o período de taxação ajudou a regularizar o setor e aumentar o controle sobre importações.
Segundo ele, o governo entende que o mercado já passou por um processo de adaptação e fiscalização mais rígida.
A equipe econômica também acredita que a revogação pode melhorar a imagem do governo junto aos consumidores, especialmente após meses de desgaste nas redes sociais.
Críticas ao governo continuam
Mesmo com o fim da “taxa das blusinhas”, opositores criticam a mudança e acusam o governo de recuar apenas após forte pressão popular.
Nas redes sociais, muitos usuários apontaram contradição no fato de Lula revogar um imposto criado durante sua própria gestão depois de bilhões arrecadados.
Outros críticos afirmam que a medida foi usada inicialmente para reforçar a arrecadação federal em meio à dificuldade do governo em equilibrar as contas públicas.
Por outro lado, apoiadores da revogação defendem que o governo corrigiu uma medida impopular e que a fiscalização das plataformas internacionais já foi fortalecida durante o período de vigência do imposto.
Taxa das blusinhas virou símbolo de desgaste político
A expressão “taxa das blusinhas” rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados da política econômica brasileira nos últimos anos.
O tema ganhou enorme repercussão porque atingiu diretamente consumidores comuns acostumados a comprar produtos baratos em marketplaces internacionais.
A repercussão negativa nas redes sociais acabou transformando a medida em um símbolo do desgaste do governo junto a parte do eleitorado mais jovem e digital.
Agora, com a revogação oficializada, o governo tenta reduzir o impacto político causado pela cobrança e recuperar popularidade em meio às discussões econômicas e fiscais de 2026.