
Banco Central fecha o Will Bank e aprofunda crise do grupo Master
Liquidação do braço digital confirma colapso financeiro e amplia impacto sobre investidores e o FGC
O Banco Central decidiu decretar, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital ligado ao grupo Master, após concluir que a instituição já não tinha condições de seguir operando. A medida encerra um período de regime especial de administração, iniciado em novembro, quando ainda havia expectativa de venda do banco para reduzir os danos ao sistema financeiro.
A queda do Will Bank representa a sexta intervenção direta relacionada ao caso Master e escancara o agravamento de uma crise que vinha sendo monitorada há meses pelas autoridades monetárias.
Tentativa de salvação fracassou
Mesmo após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, o Will Bank continuou funcionando de forma provisória. A aposta do Banco Central era atrair investidores interessados na aquisição do banco digital, o que poderia minimizar prejuízos e preservar parte da operação.
As negociações, porém, não avançaram dentro do prazo legal de 120 dias. O golpe final veio no dia 19 de janeiro, quando o Will Bank deixou de honrar pagamentos junto à Mastercard. A resposta foi imediata: a bandeira suspendeu o banco do sistema de pagamentos, bloqueando cartões e inviabilizando qualquer continuidade das atividades.
Insolvência e efeito dominó
Diante do descumprimento contratual e da deterioração financeira, o Banco Central avaliou que a liquidação se tornou inevitável. Pesaram na decisão a insolvência da instituição, o colapso da sua estrutura financeira e o vínculo direto com o Banco Master, que já estava sob liquidação extrajudicial.
A decisão foi formalizada por ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que destacou não haver mais alternativas viáveis para manter o banco em funcionamento.
O que muda com a liquidação
Com a medida, o Will Bank é oficialmente retirado do Sistema Financeiro Nacional. As operações são interrompidas, os bens dos controladores e ex-administradores ficam bloqueados por lei, e um liquidante nomeado pelo Banco Central passa a conduzir o processo. O termo legal da liquidação foi fixado em 24 de novembro de 2025.
Antes mesmo do fechamento definitivo, a situação já era crítica. A Mastercard chegou a executar garantias de dívidas, passando a deter participações relevantes em empresas como a varejista Westwing e no Banco de Brasília (BRB).
Conta bilionária para o Fundo Garantidor
A não concretização da venda do Will Bank deve aumentar significativamente o prejuízo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo será responsável por ressarcir até R$ 250 mil por investidor, podendo desembolsar até R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil clientes — o maior pagamento da história do FGC.
Caso Master: da euforia ao colapso
O escândalo do Banco Master veio à tona em 2025, quando o Banco Central passou a questionar um modelo de negócios baseado em títulos de renda fixa com retornos muito acima do mercado. A estratégia atraiu milhões de investidores, mas criou uma estrutura frágil, dependente de captações caras e de alto risco.
Com o avanço das investigações, surgiram suspeitas de fraudes contábeis, incluindo a criação de ativos sem lastro real para inflar artificialmente o patrimônio do banco. O veto à venda do Master ao BRB aprofundou a crise e levou à liquidação do grupo.
Em nota, o Banco Central afirmou que seguirá apurando responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e encaminhar informações a outros órgãos de controle.
O desfecho do Will Bank não apenas sela o fracasso do grupo Master, como deixa um alerta duro: quando a promessa de ganhos fáceis supera a solidez, o custo costuma ser alto — e, muitas vezes, coletivo.