
Maduro decreta estado de exceção e acusa EUA de preparar agressão militar
Enquanto Washington envia navios de guerra para o Caribe, Caracas reage com discursos de resistência, simulações militares e convocação de civis para as milícias.
A Venezuela entrou oficialmente em estado de exceção nesta segunda-feira (29). O decreto, assinado por Nicolás Maduro e anunciado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, dá ao presidente poderes especiais caso os Estados Unidos decidam atacar o país.
A medida surge em meio à escalada de tensão com o governo de Donald Trump, que já deslocou tropas e embarcações militares para o Caribe sob a justificativa de combater o narcotráfico. Nos últimos meses, ao menos três barcos venezuelanos foram destruídos em ações norte-americanas — uma delas resultou em 11 mortos, episódio que levantou dúvidas até dentro do Congresso dos EUA sobre a legalidade dessas operações.
Do lado venezuelano, a resposta foi imediata: mobilização das Forças Armadas, convocação de civis para milícias voluntárias e realização de treinamentos militares em todo o país. Caracas insiste que se trata de defesa da soberania, enquanto Washington acusa Maduro de liderar o chamado Cartel dos Sóis e oferece uma recompensa milionária por informações que levem à sua prisão — acusações que o governo bolivariano rejeita.
A situação expõe um roteiro que já parece repetido na história recente: de um lado, os EUA encenando o papel de xerife global, justificando ataques sob o manto da “guerra às drogas”; do outro, um governo autoritário que se fortalece internamente ao se apresentar como vítima de agressão externa. No meio disso, quem paga a conta é o povo venezuelano, que vê seu país transformado em palco de ensaio para mais um conflito geopolítico.