Mais imposto, menos corte: o velho roteiro que pesa no bolso de sempre

Mais imposto, menos corte: o velho roteiro que pesa no bolso de sempre

Senado aprova aumento de tributos para fechar as contas de 2026, enquanto o governo Lula insiste em arrecadar mais sem enfrentar o tamanho da máquina pública

O Senado aprovou, nesta semana, mais um projeto que segue um roteiro já conhecido do brasileiro: quando a conta não fecha, a solução não é cortar gastos, mas aumentar impostos. A proposta reduz benefícios fiscais e eleva a tributação sobre bets, fintechs e a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP), e agora segue para sanção do presidente Lula.

O discurso oficial é o de sempre: “é preciso arrecadar para equilibrar o orçamento”. O objetivo é fechar as contas de 2026 e alcançar uma meta de superávit de 0,25% do PIB, algo em torno de R$ 34 bilhões. Para isso, o governo aposta numa arrecadação extra estimada em até R$ 20 bilhões. O problema é que, mais uma vez, a tesoura não passa pelos gastos do Estado — só pelo bolso de quem produz, investe e consome.

Na prática, o projeto impõe um corte linear de 10% nos incentivos fiscais já a partir do próximo ano, preservando apenas os benefícios previstos na Constituição, como a Zona Franca de Manaus e o Simples Nacional. Mesmo com ajustes feitos pelo Congresso, que aliviaram parte do impacto sobre empresas menores, o recado continua claro: arrecadar é prioridade, cortar despesas não.

As apostas esportivas verão a alíquota subir de 12% para 15% de forma escalonada até 2028. Fintechs também entram na mira, com aumento gradual da CSLL, atingindo especialmente empresas que ajudaram a ampliar o acesso ao sistema financeiro. Já o imposto sobre JCP sobe de 15% para 17,5%, afetando diretamente a distribuição de lucros e os investimentos.

Entidades do setor alertam para o risco de insegurança jurídica e perda de competitividade. A crítica é simples e direta: setores que cresceram, inovaram e ampliaram a concorrência estão sendo penalizados, enquanto o governo evita enfrentar privilégios e ineficiências estruturais do próprio Estado.

Nos bastidores, houve forte articulação política. Lula ligou para lideranças do Congresso, Haddad correu para reuniões e o Planalto deixou claro que precisava do dinheiro para fechar o Orçamento. A mensagem implícita foi ainda mais dura: sem novos impostos, pode faltar espaço para emendas e despesas já prometidas.

No fim das contas, o que se vê é um governo que prefere aumentar a carga tributária a discutir seriamente a redução de gastos. Fala-se muito em justiça social, mas a conta segue recaindo sobre quem paga imposto — porque cortar despesas, ao que tudo indica, continua sendo o verdadeiro tabu em Brasília.

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