
Lula fala em paz e clima, mas o que quer mesmo é salvar Maduro da tempestade política
Na COP-30, o presidente mistura discurso ambiental com acenos à Venezuela, usa o clima como cortina de fumaça e transforma Belém em palanque ideológico enquanto finge se preocupar com o planeta.
Lula subiu ao palco da COP-30 em Belém falando de paz, meio ambiente e humanidade — mas no fundo, o que se viu foi mais um capítulo do seu velho roteiro político: proteger aliados e posar de estadista. Entre críticas a “gastos com guerras” e elogios ao papel do Brasil na luta climática, o presidente evitou citar nomes, mas o alvo era claro — Donald Trump, a quem culpa por tudo, e o protegido era evidente — Nicolás Maduro, seu velho companheiro bolivariano.
Enquanto falava em “colocar US$ 1,3 trilhão para salvar o planeta”, Lula ignorava o fato de que boa parte das queimadas e desmatamentos da Amazônia cresceu sob o olhar cúmplice do próprio governo. Citou o tornado que devastou o Paraná como exemplo das mudanças climáticas, mas o discurso soou ensaiado, como quem usa a tragédia alheia para sustentar uma narrativa.
Defendeu Belém como símbolo da resistência amazônica, mas a cidade mal conseguiu lidar com os problemas básicos para sediar o evento — falta de estrutura, preços abusivos e obras atrasadas. Mesmo assim, Lula chamou tudo isso de “legado”, como se promessas não cumpridas fossem sementes de esperança.
No fundo, a fala ambiental de Lula é só o pano de fundo de uma encenação política. Ele condena as guerras, mas silencia sobre as ditaduras amigas; fala em democracia, mas fecha os olhos para a repressão venezuelana. E, enquanto acusa os “negacionistas” de espalhar desinformação, ele próprio se esconde atrás de discursos genéricos, tentando apagar o cheiro de incoerência que já tomou o ar.
A COP-30 terminou como começou: cheia de promessas, discursos bonitos e contradições disfarçadas. E Lula, mais uma vez, conseguiu transformar o debate climático num palanque para o seu projeto de sempre — o de reabilitar velhos aliados e salvar a imagem do bolivarianismo disfarçado de sustentabilidade.