
MDB declara apoio a Flávio Bolsonaro e amplia frente política contra Lula no segundo turno
Articulação liderada por Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Daniel Vilela reúne 17 dos 27 diretórios estaduais do partido em apoio ao candidato do PL; divisão interna expõe disputa pelo comando político da legenda e enfraquece a tentativa petista de conquistar o centro.
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) anunciou oficialmente, na terça-feira (13 de outubro), apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026. A decisão amplia a aliança política formada em torno do parlamentar e representa mais um movimento de aproximação de setores do centro político com o candidato, que enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto.
A articulação foi conduzida pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e pelo governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). O presidente nacional da legenda, deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), anunciou o posicionamento durante um encontro político realizado em São Paulo, com a presença de Flávio e de representantes partidários.
Dos 27 diretórios estaduais do MDB, 17 declararam apoio ao candidato do PL, incluindo o Distrito Federal. O movimento representa uma mudança em relação ao primeiro turno, quando a legenda optou pela neutralidade na disputa presidencial e permitiu que seus grupos regionais definissem seus próprios posicionamentos.
Articulação de Tarcísio e Ricardo Nunes fortalece candidatura de Flávio
A participação de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes foi decisiva para a construção da aliança. Os dois políticos atuaram nas conversas com dirigentes e lideranças do MDB para reunir apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e ampliar sua presença entre prefeitos, parlamentares e representantes regionais.
Tarcísio, reeleito governador de São Paulo, passou a dedicar parte de sua atuação política à articulação nacional em torno do senador. Ricardo Nunes, por sua vez, tornou-se um dos principais articuladores da candidatura de Flávio no estado, defendendo publicamente a aproximação do MDB com o campo bolsonarista.
Daniel Vilela, governador de Goiás e liderança do MDB, também participou das negociações. A presença dos três políticos evidencia o esforço para transformar o apoio partidário em mobilização eleitoral efetiva, com participação de lideranças municipais e estaduais.
Durante o anúncio, Baleia Rossi afirmou que 17 diretórios apoiariam o que chamou de futuro presidente Flávio Bolsonaro. O dirigente também apresentou os pontos que, segundo ele, aproximam a legenda da candidatura do senador.
Baleia Rossi apresenta cinco pontos de convergência
O presidente nacional do MDB destacou cinco áreas de convergência entre o partido e a candidatura de Flávio Bolsonaro: responsabilidade fiscal e melhoria da qualidade dos gastos públicos; valorização do agronegócio moderno; fortalecimento dos municípios e dos estados; combate ao crime organizado com o uso de tecnologia; e pacificação nacional, com defesa da democracia.
A questão fiscal aparece como um dos eixos centrais da aproximação. O discurso de responsabilidade com os recursos públicos busca estabelecer uma diferença em relação à condução econômica do governo Lula e reforçar a defesa de maior eficiência na aplicação do dinheiro dos contribuintes.
A valorização do agronegócio também ocupa posição importante na articulação. O setor tem peso expressivo na economia brasileira e influencia diretamente a política de diversos estados. A defesa do fortalecimento da produção agropecuária aproxima a candidatura de Flávio de lideranças políticas que consideram o setor estratégico para a geração de empregos, exportações e crescimento econômico.
Na área da segurança pública, o MDB apontou o combate ao crime organizado por meio da tecnologia como outro ponto de convergência. O tema deve continuar entre os principais assuntos da campanha, diante das preocupações da população com a violência e a atuação de organizações criminosas.
Baleia Rossi também ressaltou a necessidade de pacificação nacional e afirmou que a democracia faz parte da identidade histórica do MDB. O discurso procura apresentar a aliança como uma convergência programática, e não apenas como uma decisão eleitoral contra o PT.
Divisão interna: dez diretórios declaram apoio a Lula
Apesar da adesão majoritária à candidatura de Flávio Bolsonaro, o MDB não chegou ao segundo turno unido. No mesmo dia em que a aliança favorável ao senador foi anunciada, dez diretórios estaduais das regiões Norte e Nordeste divulgaram uma manifestação de apoio à reeleição de Lula.
O grupo reúne os diretórios do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Em nota conjunta, essas lideranças defenderam a continuidade das políticas públicas do governo petista e destacaram pautas como desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda, redução das desigualdades e justiça social.
Os diretórios favoráveis a Lula citaram programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida, Fies, ProUni, Brasil Sorridente e Luz para Todos, além de iniciativas de infraestrutura e logística.
O grupo também convocou prefeitos, parlamentares e dirigentes municipais e estaduais a participarem da campanha petista, com mobilização nas capitais, carreatas, atos públicos e atividades nas redes sociais.
A divergência demonstra que o apoio anunciado pela direção nacional não significa adesão unânime de todos os integrantes do MDB. A legenda possui uma estrutura regionalizada e reúne lideranças com diferentes alianças, interesses eleitorais e avaliações sobre o governo federal.
Apoio amplia frente de partidos alinhados a Flávio
A adesão da maioria dos diretórios do MDB soma-se aos apoios já anunciados por outras forças partidárias. Flávio Bolsonaro conta com o respaldo de partidos e grupos como Republicanos, União Brasil, Progressistas, Novo e Podemos, além de lideranças que passaram a defender sua candidatura após o primeiro turno.
Entre os nomes que também declararam apoio ao senador estão os ex-candidatos presidenciais Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Essas adesões ampliam o campo político que busca impedir a continuidade do governo Lula e construir uma alternativa para o próximo mandato presidencial.
A participação de prefeitos, governadores, parlamentares e dirigentes partidários pode contribuir para ampliar a estrutura territorial da campanha, organizar atos políticos e mobilizar eleitores em diferentes regiões. Entretanto, o anúncio de apoio de uma legenda ou de seus diretórios não significa, automaticamente, que todos os seus filiados e eleitores votarão no candidato indicado.
A conversão das alianças em votos dependerá da capacidade de mobilização das lideranças, da identificação dos eleitores com as propostas apresentadas e do desempenho dos candidatos na reta final da campanha.
Ricardo Nunes critica governo Lula e convoca mobilização
Durante o evento, Ricardo Nunes voltou a criticar a administração federal, mencionando preocupações relacionadas ao endividamento dos brasileiros e defendendo uma mudança na condução política e econômica do país.
O prefeito e Tarcísio de Freitas também convocaram apoiadores para um ato de campanha de Flávio Bolsonaro previsto para a Avenida Paulista no domingo, 18 de outubro. A mobilização foi apresentada como uma oportunidade de demonstrar força política e ampliar a participação de apoiadores na campanha.
A presença de lideranças com cargos executivos e experiência administrativa é utilizada pelos aliados para sustentar a defesa de uma candidatura capaz de reunir diferentes setores da oposição ao PT. O desafio será transformar o apoio institucional em participação efetiva nas ruas e nas urnas.
A vereadora Sandra Santana, presidente do MDB Mulher em São Paulo, também participou da articulação e reagiu às críticas dirigidas a Flávio sobre sua rejeição entre eleitoras. Ao defender a participação feminina na campanha, afirmou que o candidato poderia contar com a força das mulheres nas urnas.
O encontro reuniu ainda lideranças como o senador eleito André do Prado (PL-SP), o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) e o governador de Goiás, Daniel Vilela, além de parlamentares e representantes da legenda.
O que o apoio do MDB representa para o segundo turno
A decisão da maioria dos diretórios do MDB representa um avanço político para Flávio Bolsonaro, que procura consolidar uma frente ampla para enfrentar Lula no segundo turno. A adesão de uma legenda com presença histórica nos municípios e nos governos estaduais pode facilitar o diálogo com lideranças regionais e fortalecer a organização eleitoral.
Para Lula, a movimentação representa um obstáculo à tentativa de atrair setores do centro político. Embora dez diretórios do MDB tenham declarado apoio à sua reeleição, a adesão de outros 17 à candidatura adversária evidencia que parte significativa da estrutura partidária decidiu se posicionar contra a continuidade do governo petista.
O resultado também expõe os limites de tratar o MDB como um bloco homogêneo. A legenda permanece dividida, e a disputa presidencial reproduz diferenças regionais e políticas existentes dentro de sua própria estrutura.
Para Flávio, o apoio oferece a oportunidade de ampliar sua base para além do eleitorado tradicional do PL e do bolsonarismo. Para Lula, a tarefa será preservar as alianças regionais, defender os resultados de seu governo e convencer eleitores que ainda não definiram seu voto.
O recado político do anúncio é claro: a maioria dos diretórios estaduais do MDB decidiu apoiar Flávio Bolsonaro, enquanto uma ala minoritária, mas politicamente relevante, permanecerá ao lado de Lula. A aliança fortalece a estrutura eleitoral do senador, mas a disputa continuará dependendo da capacidade dos dois candidatos de convencer os eleitores de que suas propostas respondem aos desafios econômicos, sociais e de segurança pública do Brasil.