
Megaoperação desmantela esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis em Campinas
Polícia Federal e Receita Federal cumprem mandados contra 16 alvos em seis cidades; organização criminosa sonegou mais de R$ 7,6 bilhões
Uma megaoperação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal desarticulou, nesta quinta-feira (28), um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis em seis cidades das regiões de Campinas e Piracicaba, em São Paulo. Ao todo, 16 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, foram investigados, incluindo empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude fiscal.
Entre os detidos está o ex-policial João Chaves Melchior, preso em sua residência em Paulínia, onde foram apreendidos documentos, dois veículos e uma motocicleta. Uma fintech localizada em Campinas também está no foco da operação, que integra esforços de autoridades estaduais e federais.
Como funcionava o esquema
As investigações apontam que a fraude girava em torno da importação irregular de metanol, altamente inflamável e tóxico, que era desviado do Porto de Paranaguá e transportado clandestinamente, sem registro correto nas notas fiscais. O produto era usado para adulterar combustíveis em postos e distribuidoras, gerando lucros bilionários à facção criminosa e prejudicando consumidores, que pagavam por volumes menores ou por combustíveis fora das normas da ANP.
Além disso, empresários que venderam seus postos para a rede criminosa foram ameaçados e não receberam os valores devidos, demonstrando o poder de intimidação da organização. Mais de 300 postos de combustíveis em todo o país estariam envolvidos nas fraudes.
Fintechs e lavagem de dinheiro
As transações financeiras do PCC eram canalizadas por fintechs controladas pelo grupo, permitindo movimentações sem rastreabilidade e contabilidade paralela, dificultando a identificação dos beneficiários finais. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) já atua para bloquear bens e recuperar os impostos sonegados, estimados em R$ 7,67 bilhões.
Operação integrada
A megaoperação envolveu Ministério Público de São Paulo e Federal, Gaecos, Polícia Federal, Polícia Civil e Militar, além da Secretaria da Fazenda, ANP e Procuradoria-Geral do Estado. Segundo os promotores, o PCC utiliza uma rede organizada de empresas e vínculos criminosos para integrar suas atividades ilícitas à economia formal, principalmente no setor de combustíveis e no sistema financeiro.
A ação representa um golpe significativo na estrutura financeira da facção criminosa, evidenciando o alcance do PCC além do crime tradicional e dentro da economia legal.