
Operação Carbono Oculto revela conexões do PCC com o setor de combustíveis e o mercado imobiliário
Polícia Federal, Receita e Gaeco investigam famílias e empresários suspeitos de lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas em São Paulo
A Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público, Polícia Federal e Receitas Federal e Estadual, expôs uma rede de vínculos entre núcleos familiares e o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontando para um esquema que movimenta dinheiro do tráfico de drogas e atividades criminosas pelo setor de combustíveis e imóveis.
Dois dos núcleos sob investigação são liderados pelas famílias Cepeda e Gonçalves. Segundo os promotores do Gaeco, essas estruturas mantinham conexões diretas com o PCC e com o tráfico internacional, além de realizar transações imobiliárias que seriam usadas para lavar dinheiro da facção. Até o momento, a reportagem não conseguiu contato com os investigados.
Entre os nomes destacados pela operação está o empresário Daniel Lopes, condenado a nove anos de prisão por tráfico internacional de drogas em Curitiba e por fraudes em um posto de combustíveis em Hortolândia (SP). Ele também estaria ligado a empresas químicas suspeitas de envolvimento em refino de drogas e a companhias do grupo Aster/Copape, controlado por Mohamad Hussein Mourad.
Outro grupo investigado inclui Renato Martins Vieira e familiares, que mantêm relações com os núcleos Cepeda e José Carlos Gonçalves, o “Alemão”, já investigado na Operação Rei do Crime por suposta lavagem de dinheiro do líder máximo do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O histórico mostra que os membros da família Vieira também foram implicados em roubo de cargas e outros crimes.
As investigações revelaram ainda laços com os irmãos Salomão, ex-sócios de Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC assassinado em 2024 no aeroporto de Guarulhos. Um dos investigados teria feito ameaças a Gritzbach relacionadas a negócios com postos de combustíveis na zona leste de São Paulo.
No núcleo Cepeda, liderado por Natalício Pereira Gonçalves Filho e seus filhos Renan e Natália, os investigadores identificaram conexão com 73 postos de combustíveis, além de vínculos diretos com o grupo Mourad via RCG Investimentos e Participações. A família também teria relações com os Salomão, reforçando a teia de lavagem de dinheiro e controle do PCC sobre o setor.
A Operação Carbono Oculto evidencia, mais uma vez, como o crime organizado consegue infiltrar negócios legítimos, desviando recursos e expandindo sua influência econômica e financeira de forma complexa e estruturada.