
Mensagens entre esposa de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro revelam contrato de R$ 129 milhões com Banco Master
Conversas recuperadas pela Polícia Federal mostram envio de minuta contratual; escritório da família do ministro já recebeu R$ 80,2 milhões, segundo dados da Receita Federal
As investigações conduzidas pela Polícia Federal trouxeram à tona novas informações envolvendo a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo mensagens obtidas durante a investigação, Viviane encaminhou diretamente ao WhatsApp de Vorcaro a minuta de um contrato de honorários advocatícios avaliado em R$ 129 milhões, destinado à prestação de serviços jurídicos para o Banco Master.
As conversas, registradas em janeiro de 2024, indicam que a advogada enviou o documento em 17 de janeiro. Cinco dias depois, Daniel Vorcaro respondeu tratando dos detalhes para assinatura do contrato, discutindo a possibilidade de formalização física ou eletrônica do documento.

As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal Estadão e posteriormente confirmadas pelo Correio Braziliense com fontes ligadas à investigação.

Contrato previa pagamentos milionários durante três anos
O contrato havia sido firmado originalmente em janeiro de 2023 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Associados, banca jurídica da qual Viviane Barci é sócia e onde também atuam os dois filhos do ministro Alexandre de Moraes.

O acordo previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões, ao longo de três anos, totalizando R$ 129 milhões caso fosse executado integralmente até o início de 2027.
De acordo com informações da Receita Federal, entre 2024 e 2025 o escritório já recebeu R$ 80,2 milhões referentes ao contrato.
Os repasses, entretanto, foram interrompidos após a liquidação do Banco Master.
Serviços jurídicos envolviam Banco Central, Receita e Congresso
Segundo a documentação apresentada pelo escritório, os serviços contratados abrangiam consultoria e representação jurídica em assuntos de alta complexidade envolvendo órgãos públicos e reguladores.
Entre as atividades previstas estavam:
- atuação perante o Banco Central;
- acompanhamento de demandas na Receita Federal;
- consultorias relacionadas ao Congresso Nacional;
- elaboração de pareceres jurídicos;
- análises regulatórias;
- consultoria em direito previdenciário;
- direito contratual;
- direito trabalhista;
- proteção de dados;
- operações de crédito e questões regulatórias.
O escritório informou ainda que, durante a vigência do contrato, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo:
- 79 encontros presenciais na sede do Banco Master;
- 13 reuniões diretamente com a presidência da instituição;
- 2 reuniões por videoconferência.
Além disso, foram produzidos 36 pareceres técnicos e opiniões jurídicas em diversas áreas do Direito.
Procurado pela imprensa, o escritório Barci de Moraes informou que não comentaria o caso.
Receita Federal apontou valor elevado dos honorários
Durante as apurações, a Receita Federal destacou que o montante contratado chamou a atenção dos investigadores.
Segundo o órgão, os honorários previstos superavam significativamente a atuação pública identificada da advogada em processos judiciais envolvendo o Banco Master naquele período.
Essa observação passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores, embora, até o momento, não represente conclusão sobre eventual irregularidade.
Como surgiram as mensagens
Os diálogos vieram à tona após a extração de dados do telefone celular de Daniel Vorcaro.
O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo o grupo financeiro.
Posteriormente, o conteúdo passou a integrar outro inquérito conduzido pela Polícia Federal, que investiga o suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas à família do ministro Alexandre de Moraes.
Entre os investigados nesse procedimento está o perito João Cláudio Nabas, alvo de mandado de busca e apreensão em maio deste ano.
Outro diálogo aponta tentativa de atingir jornalista
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro também revelaram conversas envolvendo a jornalista Malu Gaspar.
Segundo os diálogos divulgados pela imprensa, o empresário teria pedido a interlocutores que levantassem informações pessoais sobre a colunista após a publicação de reportagens relacionadas ao Banco Master.
As conversas fazem referência à busca por processos antigos, dados patrimoniais, informações familiares e situação financeira da jornalista, numa tentativa de reunir elementos que pudessem enfraquecer sua credibilidade.
Caso segue sob investigação
O material apreendido continua sendo analisado pela Polícia Federal e integra diferentes frentes investigativas envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e pessoas ligadas ao caso.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal aos envolvidos pelos fatos relacionados ao contrato de honorários. As apurações seguem em andamento para esclarecer o contexto das mensagens, dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços jurídicos contratados.