
Mesmo sob fogo cruzado no STF, Lula inclui chefe da PF em viagem à Índia e à Coreia
Criticado por relatório que atingiu Dias Toffoli, Andrei Rodrigues integra a comitiva presidencial em agendas internacionais estratégicas.
Em meio ao clima tenso entre a Polícia Federal e ministros do STF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao seu lado na viagem oficial à Índia e à Coreia do Sul.
Andrei embarcou no mesmo avião presidencial rumo a Nova Délhi, onde participa de encontros com autoridades da polícia indiana e acompanha Lula em um evento internacional sobre inteligência artificial. A presença do chefe da PF na agenda externa ocorre justamente no momento em que ele é alvo de críticas nos bastidores do Supremo.
No roteiro seguinte da viagem, em Seul, Andrei também terá compromissos com a polícia sul-coreana. Está prevista, inclusive, a assinatura de um acordo de cooperação entre as forças de segurança dos dois países — gesto que reforça o papel institucional da PF no cenário internacional.
Atrito com o Supremo
A irritação no STF ganhou força após a Polícia Federal produzir um relatório que apontou contatos do ministro Dias Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento foi entregue pessoalmente ao então presidente da Corte, Edson Fachin, e acabou levando Toffoli a deixar a relatoria do chamado Caso Master, que passou para André Mendonça.
Ministros do Supremo avaliam, reservadamente, que a PF teria avançado além do limite ao investigar contatos de um magistrado com foro privilegiado sem autorização prévia da Corte. Já aliados de Lula admitem que o presidente se incomodou com o “método” adotado pela corporação, embora, no STF, haja quem diga que uma iniciativa desse porte dificilmente ocorreria sem o aval do Planalto.
A comitiva presidencial
Além de Andrei Rodrigues, integram a delegação brasileira nomes de peso do governo, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o chanceler Mauro Vieira.
A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, também viajou à Ásia, mas seguiu direto para a Coreia do Sul, onde deve cumprir agenda própria com a primeira-dama local.
Lula permanece na Índia até sábado e, no domingo, segue para Seul. A viagem termina na terça-feira, com retorno ao Brasil. Enquanto isso, a presença do chefe da PF ao lado do presidente adiciona mais um capítulo à já delicada relação entre a corporação e o Supremo.