Ministério Público entra na Justiça para barrar norma que impede tratamentos hormonais para jovens trans

Ministério Público entra na Justiça para barrar norma que impede tratamentos hormonais para jovens trans

MPF pede suspensão imediata da resolução do Conselho Federal de Medicina e multa de R$ 3 milhões por danos morais

Na última quarta-feira (25), o Ministério Público Federal (MPF) deu um passo firme contra a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) que restringe o acesso de crianças e adolescentes trans a tratamentos hormonais essenciais para a transição de gênero. O órgão solicitou à Justiça a suspensão imediata dessa norma, alegando que ela representa um retrocesso e causa danos profundos a essa população.

Além disso, o MPF também pediu que o CFM seja multado em R$ 3 milhões, em função dos prejuízos morais causados por essa resolução. O procurador responsável, Lucas Costa Almeida Dias, responsável pela defesa dos direitos humanos na região de Rio Branco (AC), deixou claro que não haverá acordo ou conciliação, dada a gravidade do tema e a postura do Conselho durante as investigações.

A polêmica resolução, divulgada em abril, proíbe o bloqueio hormonal em menores de idade, limita o acesso à terapia hormonal cruzada e só permite cirurgias de redesignação de gênero para maiores de 18 anos. Além disso, estabelece que intervenções com efeito esterilizador só podem ser feitas a partir dos 21 anos.

O MPF destaca que essa decisão vai totalmente contra o que recomendam organismos internacionais de direitos humanos, como o Alto Comissariado da ONU e especialistas que apoiam o princípio da competência de Gillick — parâmetro utilizado em países como Austrália e Inglaterra para garantir autonomia aos adolescentes em decisões sobre saúde.

O impacto dessa medida é grave: ao negar tratamentos adequados, o governo acaba prejudicando a saúde física e mental de crianças e adolescentes trans, justamente num momento delicado de seu desenvolvimento. Famílias e associações, como a Associação de Mães pela Liberdade de MG e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, também denunciam que essa norma gerou pânico e insegurança, com consequências que podem ser irreparáveis para essas pessoas.

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