Ministra cubana que negou mendigos renuncia após correção pública

Ministra cubana que negou mendigos renuncia após correção pública

Díaz‑Canel repreende declaração insensível e destaca vulnerabilidade crescente na ilha em meio à crise econômica

A ministra cubana do Trabalho, Marta Elena Feitó, renunciou nesta terça-feira (15) depois de afirmar, em sessão parlamentar, que “não há mendigos” em Cuba, apenas pessoas “disfarçadas de mendigos” — numa frase que provocou forte reação popular.

Feitó sugeriu que quem recolhe lixo não busca comida, e que os limpadores de para-brisas fazem isso por “buscarem a vida fácil” e para gastar com bebida.

O presidente Miguel Díaz‑Canel criticou duramente as declarações, destacando que a falta de sensibilidade sobre a vulnerabilidade da população é “contraproducente” e defende que ninguém deve agir “com soberba”. Em discurso de cerca de 20 minutos no Parlamento, ele reconheceu que os mendigos são expressões reais das profundas desigualdades sociais existentes em Cuba.

Este episódio ocorre num momento crítico para Cuba, que enfrenta sua pior crise econômica em três décadas — com inflação de 190% em cinco anos, queda do PIB e escassez de alimentos, medicamentos, combustível e energia, além de aumento visível da pobreza de rua entre idosos. Enquanto isso, programas assistenciais atendem cerca de 350 mil pessoas em situação de vulnerabilidade.

A renúncia de Feitó é vista como rara no ambiente político cubano, resultante da pressão popular e do descontentamento diante do descompasso entre as condições socioeconômicas reais e a discurso oficial

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