
Ministro do STM Reage e Tenta Barrar Convocação do Irmão na CPMI do INSS
Francisco Joseli Parente Camelo alega que documentos já esclarecem a origem dos valores recebidos e que o depoimento de Francisco Joseni seria “desnecessário”
A crise em torno da CPMI do INSS ganhou um novo capítulo. O ministro Francisco Joseli Parente Camelo, vice-presidente do Superior Tribunal Militar, enviou uma petição ao presidente da comissão, senador Carlos Viana, contestando a convocação de seu irmão, Francisco Joseni Parente Camelo.
No pedido, o ministro argumenta que toda a situação já teria sido explicada por meio de documentos anexados — incluindo uma escritura pública — e que, por isso, o depoimento do irmão não acrescentaria nada à investigação.
A reação veio depois de a imprensa revelar que Francisco Joseni recebeu mais de R$ 731 mil de nomes diretamente envolvidos na chamada “Farra do INSS”, incluindo José Lins de Alencar Neto e a empresa AAPEN Processamento de Dados Cadastrais, ambos investigados por fraudes milionárias.
A deputada Adriana Ventura (Novo), integrante da CPMI, foi quem solicitou oficialmente a convocação, alegando que os valores e suas origens precisavam ser explicados de forma transparente.
A versão do ministro
Joseli afirma que o dinheiro é totalmente legal e corresponde à venda de um imóvel em Fortaleza. Segundo ele, o negócio ocorreu de forma pública, com corretagem e anúncios abertos — e comprador e vendedor sequer se conheciam antes do acordo.
Os pagamentos, somando os R$ 731,5 mil em questionamento, teriam sido feitos diretamente para a conta de Francisco Joseni, entre outubro e novembro de 2024, como parte do valor total de R$ 770 mil pelo imóvel.
Apesar da justificativa, a CPMI ainda avalia se a convocação será mantida, especialmente diante das ligações entre os envolvidos e o escândalo previdenciário que já derrubou servidores e expôs fragilidades profundas no INSS.
O clima na comissão permanece pesado — e a pressão para ouvir Joseni continua crescendo.