
Missão dada, missão… barrada
O ex-ministro do TSE Benedito Gonçalves é proibido de entrar nos EUA por Trump
Parece que a famosa frase de Benedito Gonçalves, “missão dada, missão cumprida”, ganhou um novo capítulo irônico: o governo de Donald Trump decidiu revogar o visto americano do ex-ministro do TSE. A informação foi divulgada pela Reuters nesta segunda-feira (22) e chega como mais um episódio na já tensa relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
Gonçalves, que comandou julgamentos cruciais no TSE durante a eleição de 2022 — incluindo a cena que eternizou seu bordão durante a condenação de Bolsonaro — agora é o mais recente alvo de sanções norte-americanas, junto com outras seis autoridades judiciais brasileiras, incluindo o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A justificativa oficial americana? Segundo o Departamento de Estado, permitir a entrada de Gonçalves e outros aliados de Moraes “poderia gerar consequências adversas para a política externa dos EUA”. Marco Rubio, secretário de Estado, reforçou nas redes que se trata de “combater a caça às bruxas” promovida por Moraes — como se decisões judiciais brasileiras pudessem realmente preocupar Washington.
O ex-ministro, de 70 anos, foi lembrado por colegas como um jurista “imparcial e técnico”, mas, ironicamente, sua carreira agora é alvo de retaliação internacional. Durante sua gestão, ele participou de julgamentos sensíveis, incluindo a defesa da lisura das urnas eletrônicas, uma narrativa que Bolsonaro contestou sem provas, levando à sua inelegibilidade.
A resposta brasileira não demorou. Messias classificou a medida como “unilateral e incompatível com 200 anos de relações pacíficas”, enquanto o Itamaraty prometeu retaliação proporcional. O presidente Lula, em Nova York, chamou a sanção de “inaceitável”, ligando-a à agenda extremista de Trump para proteger aliados como Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.
No Congresso, a reação foi previsível: Eduardo Bolsonaro celebrou a decisão nos X como uma vitória contra a “ditadura judicial”, enquanto petistas, como Lindbergh Farias, pedem a cassação do deputado por “traição à soberania nacional”.
E, claro, a economia já sente o efeito: as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas em agosto continuam pesando bilhões no agronegócio. Com o recurso de Bolsonaro previsto para outubro, especialistas veem as sanções como uma estratégia de Trump para manter pressão, possivelmente ampliando restrições financeiras via Magnitsky.
No final, o episódio deixa claro que, no jogo político internacional, até um bordão famoso de tribunal pode se transformar em motivo de retaliação transnacional.