
PT descobre a empatia tardia: Lula culpa antecessores por obras que ele mesmo atrasou
Presidente inaugura ponte iniciada no governo Dilma e transforma atraso histórico em discurso de vítima
Durante a inauguração da ponte que liga Xambioá (TO) a São Geraldo do Araguaia (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu a oportunidade de transformar um atraso histórico em palco para autoelogios e críticas irônicas aos antecessores. Segundo ele, o Brasil “sempre pagou caro pela irresponsabilidade” de gestores que não quiseram concluir obras de governos anteriores. Ironia do destino: muitos desses projetos parados foram justamente durante gestões do PT.
“Este país sempre sofreu porque prefeitos, governadores e presidentes não querem tocar a obra do outro. Enquanto ignorância e politicagem dominam, quem paga a conta é o povo”, disse Lula, como se o PT jamais tivesse contribuído para o mesmo cenário.
A ponte em questão começou a ser construída no governo Dilma Rousseff e só agora foi inaugurada, anos depois de paradas inexplicáveis. Lula aproveitou para listar outras “tragédias nacionais” que ele atribui a governos passados: 3 mil escolas e creches não entregues, 87 mil moradias incompletas. Curiosamente, essas mesmas obras tiveram ritmo lento ou entraves durante os próprios mandatos do PT, mas agora viraram argumento de vitimização.
Com ares de herói salvador, o presidente exaltou a atuação de seu governo atual, lembrando do PAC, do Vale-Gás, da isenção de energia para pobres e do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Mas, para muitos críticos, o discurso soa mais como uma estratégia de propaganda: transformar atrasos históricos em narrativa de vítima e ignorar o próprio legado de lentidão e obras inacabadas.
“Não me importa se gostam de mim ou não. Se o projeto é bom para o Brasil, terá meu apoio”, disse Lula. Traduzindo: obras e benefícios são mérito dele, atrasos e falhas sempre culpa dos outros. Um clássico espetáculo de ironia política, digno do roteiro do PT, onde a plateia é sempre o povo brasileiro, pagando caro pelas obras que se arrastam por décadas.