
Moraes afirmou em abril que “jamais” viajou em avião de Vorcaro; declarações levantam questionamentos
Declaração atribuída ao ministro Alexandre de Moraes sobre não ter viajado em aeronaves de Daniel Vorcaro volta ao debate em meio às controvérsias envolvendo o empresário, o Banco Master e relações com integrantes do Supremo Tribunal Federal.

Vídeo: a declaração de abril e as imagens divulgadas em setembro
O vídeo divulgado em 20 de setembro de 2026 mostra Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jato no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025. A aeronave é apontada nas reportagens como ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O registro reacende a controvérsia porque, em março e abril de 2026, o gabinete do ministro afirmou que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro” ou na companhia do empresário e de Fabiano Zettel.
O que dizem Moraes e o escritório de sua esposa
A declaração anterior do gabinete de Moraes é o ponto central da controvérsia. As imagens divulgadas posteriormente mostram o ministro desembarcando de uma aeronave identificada nas reportagens como vinculada a empresas relacionadas a Vorcaro.
O escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci, afirmou que contratou serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation. Também declarou que:
- A contratação seguia critérios operacionais.
- Moraes acompanhou a esposa em determinados voos.
- Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel não estavam a bordo desses voos.
- Os pagamentos eram realizados por compensação de honorários advocatícios, conforme os contratos.
- O escritório negou vínculo contratual de advocacia com a Prime Aviation e participação societária na empresa.
O que está em investigação
Daniel Vorcaro foi preso em março de 2026, no contexto de investigações sobre suspeitas de crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro. O Banco Master havia sido liquidado em novembro de 2025.
A Polícia Federal também apura contratos entre empresas relacionadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci. Entre os documentos mencionados nas reportagens estão:
- Contrato de R$ 131 milhões: firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia para serviços jurídicos.
- Proposta de R$ 50 milhões: relacionada à cessão de cotas de aeronaves à esposa do ministro. O escritório afirma que o documento não foi assinado e perdeu efeito após a liquidação do banco.
- Viagens em aeronaves: levantamento jornalístico aponta ao menos oito voos do casal em aeronaves vinculadas a empresas relacionadas a Vorcaro, entre maio e outubro de 2025.
Moraes também nega ser o destinatário de mensagens atribuídas a Vorcaro. O ministro questiona a metodologia utilizada para relacionar as mensagens ao seu número de telefone.
Ironia e crítica: quando a explicação precisa explicar a explicação
A situação provoca um questionamento legítimo sobre transparência: como conciliar a afirmação de que jamais se viajou em avião de determinado empresário com imagens de desembarque em uma aeronave apontada como ligada a empresas desse mesmo empresário?
A crítica à postura de Alexandre de Moraes deve se concentrar na necessidade de esclarecer a diferença entre a declaração anterior e os registros divulgados posteriormente.
A defesa afirma que os voos foram contratados como serviços de táxi aéreo, sem vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves. Essa explicação precisa ser considerada, assim como os registros e documentos que motivaram a controvérsia.
A ironia institucional é evidente: enquanto o Supremo Tribunal Federal representa uma das instâncias responsáveis por garantir a aplicação da lei, um de seus ministros se vê diante de questionamentos públicos sobre declarações, viagens e relações profissionais de sua família.
A pergunta que permanece é simples: se a contratação foi regular e não houve favorecimento, quais esclarecimentos documentais podem eliminar as dúvidas sobre a declaração anterior e as circunstâncias dos voos?
Conclusão
O vídeo divulgado em setembro acrescenta um registro visual à discussão sobre as viagens de Alexandre de Moraes e Viviane Barci em aeronaves relacionadas a Daniel Vorcaro.
A declaração anterior do ministro, a identificação da aeronave, os contratos mencionados e os esclarecimentos do escritório formam o conjunto de informações que precisa ser analisado.
A existência de viagens ou contratos não comprova, por si só, crime ou favorecimento. Mas a divergência entre a declaração anterior e as imagens divulgadas torna necessário esclarecer publicamente as circunstâncias dos deslocamentos.