
Moraes avisa: se Bolsonaro insistir na esperteza digital, cadeia será o próximo passo
Ministro do STF diz que ex-presidente tenta burlar restrições com ajuda de aliados nas redes e compara estratégia às “milícias digitais” do 8 de janeiro
Em nova manifestação nesta quinta-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi direto ao ponto: Jair Bolsonaro pode até conceder entrevistas e fazer discursos, desde que respeite os horários impostos pela Justiça. O que ele não pode — e isso já foi reiterado várias vezes — é usar as redes sociais, nem mesmo as dos aliados, para divulgar essas falas.
Moraes reagiu à defesa do ex-presidente, que afirmou que Bolsonaro não tinha controle sobre o que seus apoiadores publicam. Para o ministro, esse argumento não cola. Ele ressaltou que há sinais de organização e coordenação por trás das postagens, o que configura, sim, uma tentativa clara de driblar as medidas cautelares.
“Não seria lógico nem razoável permitir que ele continue se promovendo nas redes por meio de aliados — especialmente aqueles que integram verdadeiras milícias digitais”, escreveu Moraes. Segundo ele, esse tipo de manobra já foi usada por outros réus denunciados pela Procuradoria-Geral da República no contexto da tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
A bronca veio após Bolsonaro mostrar sua tornozeleira eletrônica a jornalistas na Câmara dos Deputados e afirmar que o equipamento era um “símbolo de máxima humilhação”. A cena foi parar rapidamente nas redes sociais de aliados, incluindo a conta de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro — o que, de novo, está proibido.
Apesar disso, Moraes considerou que se trata de uma infração isolada e, por ora, decidiu não converter as medidas restritivas em prisão preventiva. Mas ele deixou claro que, se o comportamento se repetir, o STF não hesitará em mandar Bolsonaro para a cadeia.
“É preciso encerrar de vez essa conduta criminosa”, disse o ministro. Ele também reforçou que as redes sociais vêm sendo instrumentalizadas por grupos coordenados para enfraquecer a democracia — e que o Supremo não permitirá que isso continue.
Para Moraes, não há dúvidas de que o ex-presidente tem responsabilidade sobre o conteúdo que aparece online em seu nome, mesmo que publicado por terceiros. Afinal, não se trata de acaso, mas de uma ação articulada — e ele sabe disso.