
Moraes cobra explicações da defesa de Bolsonaro após Nikolas usar celular durante visita
Ministro do STF exige justificativa em 24 horas sobre o uso do aparelho, proibido por decisão judicial, enquanto Bolsonaro ainda estava em prisão domiciliar
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (26/11) que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresente, em 24 horas, uma explicação formal sobre o uso de um celular durante a visita do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ao ex-presidente, quando Bolsonaro ainda cumpria prisão domiciliar. De acordo com Moraes, o aparelho foi utilizado mesmo diante de uma proibição expressa.
O ministro lembrou que havia autorizado a visita de Nikolas, mas ressaltou que todas as regras impostas pela Justiça deveriam ser seguidas rigorosamente. A determinação veio após reportagem do Jornal Nacional mostrar o deputado exibindo o celular enquanto conversava com Bolsonaro na área externa da casa, nos fundos do imóvel.
Nikolas foi um dos últimos visitantes antes de Bolsonaro ser preso preventivamente, no dia seguinte, por ter destruído a tornozeleira eletrônica. Moraes entendeu que houve risco de fuga. Agora, o ex-presidente já cumpre a pena de 27 anos e três meses pela liderança da trama golpista de 2022.
Pedido de investigação e disputa narrativa
A deputada Erika Hilton (PSol) entrou com um pedido de apuração no STF, acusando Nikolas de ajudar Bolsonaro a violar as regras da prisão domiciliar. Para ela, o uso do celular dentro da casa seria uma quebra clara das condições impostas pelo Supremo.
Nikolas, por sua vez, rebateu a denúncia e atacou a emissora que divulgou as imagens. Ele criticou o uso de um drone para filmar a visita, alegando invasão de privacidade e dizendo que não foi informado previamente sobre qualquer restrição ao uso de celular durante o encontro.
Segundo ele, sem aviso formal, não há como falar em descumprimento deliberado da ordem judicial.
Contexto da denúncia
Erika Hilton argumenta que as imagens obtidas pela imprensa mostram o deputado utilizando o telefone dentro da residência monitorada, algo proibido pela Justiça. A visita, realizada em 21 de novembro, ocorreu pouco antes da ruptura da tornozeleira e da decretação da prisão preventiva de Bolsonaro.
A denúncia afirma que a conduta de Nikolas ajudou a criar um ambiente favorável a uma suposta tentativa de fuga — tese rejeitada pela defesa do deputado.