
“Tebet dispara contra escolas cívico-militares e chama modelo de ‘método fascista’ em evento em São Paulo”
Pré-candidata ao Senado critica programa do governo Tarcísio, defende educação pública e eleva tom político em debate sobre segurança e ensino
A pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet voltou a elevar o tom do debate político ao criticar duramente o programa das escolas cívico-militares, uma das principais bandeiras da gestão do governador Tarcísio de Freitas.
Durante participação em uma roda de conversa do movimento Direitos Já!, na capital paulista, Tebet classificou o modelo como um “método fascista de se fazer política”, gerando reação imediata no meio político e educacional.
“Método fascista” e crítica direta ao modelo de ensino
Em sua fala, a ex-ministra afirmou que não é contra escolas militares específicas, mas questionou a tentativa de implementar a lógica militar dentro da rede pública de ensino.
Segundo Tebet, a proposta ultrapassa o campo educacional e entra no terreno da política ideológica, ao impor disciplina e estrutura militar em escolas que, em tese, deveriam seguir princípios civis e democráticos.
A declaração foi uma das mais duras já feitas pela pré-candidata sobre o tema e colocou novamente o modelo cívico-militar no centro da disputa política em São Paulo.
Críticas ao governo e discurso sobre comunicação política
Além do ataque ao modelo educacional, Tebet também ampliou suas críticas ao campo político adversário. Em tom mais amplo, afirmou que há uma disputa desigual na comunicação pública, com uso intensivo de redes sociais, algoritmos e estratégias digitais para amplificar narrativas da direita.
Na avaliação da pré-candidata, esse cenário desequilibra o debate público e enfraquece a capacidade de alcance das mensagens de setores progressistas.
Lula, segurança pública e o eixo da disputa política
No mesmo evento, realizado na Casa de Portugal, Tebet reforçou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem classificou como figura central na defesa da democracia no país.
Ela também destacou a pauta da segurança pública, afirmando que o combate ao crime organizado exige coordenação entre governos federal e estaduais, e criticou a falta de integração com alguns estados governados por adversários políticos.
Crime organizado entra no discurso e amplia tensão política
Tebet ainda citou a atuação do crime organizado em diferentes setores da economia, incluindo o avanço de facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital), que segundo ela já não se restringem apenas a territórios periféricos, mas influenciam atividades econômicas formais.
A fala reforça uma linha de discurso que busca conectar segurança pública, economia e governança como temas interligados — e não apenas como questão policial.
Leitura política: educação vira campo de disputa ideológica
O episódio evidencia como o debate sobre educação em São Paulo se transformou em um dos principais campos de batalha política entre governo estadual e oposição.
Enquanto o governo defende o modelo cívico-militar como ferramenta de disciplina e melhoria de desempenho escolar, críticos como Tebet veem o programa como uma forma de militarização da educação pública.
No fim, o tema deixa de ser apenas pedagógico e passa a ocupar o centro da disputa eleitoral e ideológica no estado, com forte impacto na corrida pelo Senado e no cenário político de 2026.