
Moraes e o grande drama do batom: o STF em guerra contra a democracia… e contra as estátuas
Enquanto o ministro fala em “ataques jamais vistos” à democracia, mulher idosa é presa por pixar estátua com batom — porque a Bíblia na mão não garante imunidade para atos de “vandalismo artístico”.
Ah, a democracia brasileira, esse delicado castelo de cartas que, segundo o ministro Alexandre de Moraes, está sob ataque de um “populismo extremista” sem precedentes. Em discurso pomposo no Tribunal de Contas de São Paulo, Moraes deu uma aula sobre a “independência e autonomia” do Judiciário, um órgão que, segundo ele, julga sem qualquer “pressão externa”. Só não explicou muito bem quando essa autonomia vira força bruta, especialmente contra quem ousa usar batom para marcar território — literalmente, em estátuas.
Enquanto o ministro discursava sobre a gloriosa Constituição de 1988 que “deu um basta ao golpismo”, lá fora, uma senhora idosa foi presa por pixar uma estátua. Detalhe: a velha senhora carregava uma Bíblia na mão, sinal inequívoco de que só falta mesmo o batom para que a justiça se mova com essa mesma “independência” que Moraes tanto prega. Afinal, em tempos de Moraes, o verdadeiro crime parece ser incomodar — seja com palavras, atos ou um simples batom.
E o ministro, claro, fez questão de lembrar que erros acontecem, porque afinal “seres humanos erram”, mas garantiu que o colegiado do STF serve para corrigir essas falhas. Curioso é que, no mesmo instante, ele ignorou os apelos e críticas internacionais, os ataques do governo americano, e até a famigerada crise diplomática que ele próprio ajudou a inflamar. Mas nada disso importa — afinal, a prioridade é blindar o STF de “pressões externas”, enquanto prende quem ousa deixar sua marca — mesmo que seja com um gesto singelo, como um batom numa estátua.
No evento em São Paulo, Moraes foi aplaudido por seus fãs e recebeu medalhas como se fosse um herói da pátria. Já do lado de fora, poucos corajosos protestavam, segurando cartazes pedindo “Fora Moraes”. Um contraste perfeito para ilustrar essa democracia tão robusta quanto uma estátua que, aparentemente, só pode ser tocada pela tinta da elite do poder.
Então fica a reflexão: enquanto Moraes fala em “ataques à democracia”, talvez o maior ataque esteja justamente na forma como o Estado escolhe quem pode e quem não pode expressar sua voz — seja com discursos, protestos ou, pasmem, batom.