Moraes e Zanin pedem condenação de sete réus ligados ao “núcleo de desinformação” da suposta trama golpista

Moraes e Zanin pedem condenação de sete réus ligados ao “núcleo de desinformação” da suposta trama golpista

Ministros do STF apontam atuação de uma “milícia digital” que teria usado técnicas militares para atacar instituições e tentar corroer a democracia

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (21) o julgamento dos sete acusados de integrar o chamado “núcleo de desinformação” da tentativa de golpe durante o governo de Jair Bolsonaro. O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação de todos os réus, sendo acompanhado integralmente por Cristiano Zanin, o que deixou o placar em 2 a 0 pela culpa.

Ainda devem votar Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Segundo Moraes, as investigações mostraram que o grupo formava uma estrutura organizada de ataques digitais, criada para minar a confiança nas instituições democráticas e espalhar desinformação em larga escala. Ele classificou o grupo como uma “milícia digital” que agia para enfraquecer o Estado de Direito e criar ambiente favorável a um golpe.

Os sete réus foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por crimes que incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e destruição de patrimônio tombado.

Moraes destacou que a atuação do grupo foi constante, com “atos executórios sequenciais” entre 2021 e 8 de janeiro de 2023, culminando na invasão das sedes dos Três Poderes. Segundo o ministro, os acusados usaram técnicas de comunicação militar para manipular a opinião pública e tentar envolver as Forças Armadas nas ações contrárias à Constituição.

“Esses réus utilizaram métodos de guerra informacional para influenciar pessoas e incitar o caos político, sempre em defesa de um único propósito: manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder”, afirmou Moraes.

O ministro Cristiano Zanin reforçou o entendimento, dizendo que os sete acusados fizeram parte de uma organização criminosa articulada para romper a ordem democrática. Ele apontou o uso deliberado da retórica militar e da ameaça pública às instituições como estratégia para intimidar o Judiciário e justificar um golpe.

Entre os réus estão militares da ativa e da reserva, além de ex-servidores da Abin e do Instituto Voto Legal, como Ailton Barros, Ângelo Denicoli, Carlos Moretzsohn Rocha, Giancarlo Rodrigues, Guilherme Almeida, Marcelo Bormevet e Reginaldo Abreu.

Para Moraes, todos integravam um mesmo corpo organizado, com divisões de tarefas, mas unidos por um objetivo comum: atacar as instituições democráticas e deslegitimar o resultado das eleições de 2022.

“Basta uma olhada no conjunto das ações para perceber que havia uma engrenagem criminosa atuando em várias frentes, todas voltadas à ruptura da democracia”, resumiu o ministro.

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