Moraes Força a Barra: Ministro Avança Contra a PM-DF e Reescreve Narrativa do 8 de Janeiro

Moraes Força a Barra: Ministro Avança Contra a PM-DF e Reescreve Narrativa do 8 de Janeiro

Com um voto que parece mais político do que jurídico, Moraes tenta transformar omissão em adesão e empurrar penas pesadíssimas à cúpula da PM-DF — enquanto segue concentrando poder como nunca.

O ministro Alexandre de Moraes voltou a agir como se fosse um poder acima dos demais. No julgamento iniciado no plenário virtual do STF, Moraes votou pela condenação de cinco oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, acusando-os de omissão nos atos de 8 de janeiro de 2023 — e, como já virou padrão, transformando falhas operacionais em crimes equivalentes a golpe de Estado.

O julgamento vai até 5 de dezembro, mas o recado do ministro já está dado: quem não se curva à sua narrativa será esmagado.

Moraes sugeriu penas que chegam a 16 anos, somando reclusão, detenção, multa e até perda de cargo público. Entre os alvos estão o ex-comandante-geral Fábio Augusto Vieira, o ex-subcomandante Klepter Rosa e outros coronéis da alta cúpula.

Segundo ele, esses militares não apenas erraram — eles teriam, supostamente, “aderido” aos propósitos golpistas. Uma acusação pesada, construída em cima de interpretações que parecem mais ideológicas do que técnicas. E tudo isso vindo de quem já virou símbolo do autoritarismo judicial.

Em contradição típica, Moraes ainda absolveu dois acusados — prova de que o julgamento está menos para justiça e mais para teatro jurídico, onde o ministro escolhe quem será punido e quem será poupado.

A Procuradoria-Geral da República afirma que a PM-DF tinha informações internas e deveria ter agido com mais firmeza. Mas transformar falhas operacionais em crime de golpe é uma extrapolação que caberia ser discutida democraticamente — não imposta de cima pra baixo por um ministro que há muito age como inquisidor da República.

Moraes ainda repetiu o argumento de sempre: que os atos de janeiro foram fruto de uma “horda criminosa” golpista que se articulava desde o fim das eleições. Mas o que ele não diz é que essa narrativa centralizadora vem sendo usada justamente para justificar sua escalada de poder e decisões cada vez mais duras — e cada vez menos questionadas.

Enquanto isso, os réus, monitorados por tornozeleira eletrônica, aguardam o resultado de um julgamento que já parece ter destino traçado antes mesmo de começar.

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