A Lista de Visitas e o Império de Moraes: Mais um Capítulo da Justiça com Dois Pesos e Duas Medidas

A Lista de Visitas e o Império de Moraes: Mais um Capítulo da Justiça com Dois Pesos e Duas Medidas

Enquanto Anderson Torres tenta apenas garantir o direito básico de ver a família, o STF segue governado pelo punho de ferro de Alexandre de Moraes — e o repúdio é inevitável.

É até irônico — para não dizer revoltante — que, preso no Complexo da Papuda, Anderson Torres tenha que pedir permissão a Alexandre de Moraes até para ver as próprias filhas. O ex-ministro da Justiça, condenado a 24 anos por suposta participação em uma “tentativa de golpe”, enviou ao ministro uma lista com oito nomes: as três filhas, a esposa, o pai, a irmã e dois amigos próximos. Um pedido simples, humano, básico.

Mas, como sempre, tudo depende do “sim” ou do “não” do ministro que transformou o STF numa espécie de torre de controle pessoal. E, claro, até agora — silêncio absoluto. A caneta de Moraes pesa mais que qualquer direito previsto em lei.

Torres é o único condenado daquele episódio a cumprir pena no complexo prisional. ÚNICO. Como se tivesse carregado um golpe nas costas sozinho, enquanto outros seguem soltos, rindo da cara da Justiça.

No documento enviado ao STF, ele pede apenas que os nomes sejam cadastrados para visitas regulares e que o presídio seja comunicado oficialmente. Nada além do Normal. Nada além do Humano. Mas, no Brasil de hoje, direitos básicos viraram favores — e favores dependem da boa vontade do “xerife” da República.

Enquanto isso, Moraes segue acumulando decisões que deixam qualquer cidadão comum de cabelo em pé: perda do cargo, suspensão de direitos políticos, inelegibilidade… É um pacote completo feito sob medida para destruir um adversário político, não para fazer justiça.

E, como se não bastasse, a imprensa — sempre ela, sempre pronta para aplaudir — noticiando tudo com aquele tom de aprovação, como se estivéssemos diante de um herói e não de um ministro que ultrapassou todos os limites do razoável.

Na Papuda, Torres vive numa área simples, com quarto, sala e uma pequena área externa. Nada de privilégios surreais, nada que justifique o espetáculo midiático que criaram em torno de seu nome. No fim das contas, ele só quer ver a família.

Mas, no país onde Supremo virou tribunal de exceção e onde o direito só vale quando convém, até isso vira novela — e novela de mau gosto.

O repúdio é inevitável.
O exagero é evidente.
E a sensação de injustiça, essa sim, continua sendo a única coisa realmente garantida.

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