
Moraes ironiza plano de assassinato impresso no Planalto: “Não era para fazer barquinho de papel”
Ministro destacou gravidade do caso e criticou o uso da sede do governo para arquitetar ataque contra Lula, Alckmin e ele próprio
Durante o julgamento do núcleo 1 da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes fez duras críticas ao episódio envolvendo o chamado plano Punhal Verde e Amarelo. O ministro afirmou ser “inacreditável” a versão de que o general Mário Fernandes teria impresso o documento no Palácio do Planalto, ido ao Alvorada para se encontrar com Jair Bolsonaro e permanecido mais de uma hora sem discutir o conteúdo do plano, que previa o assassinato do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio Moraes.
“Não é crível achar que ele ficou esse tempo todo para fazer barquinho de papel com a impressão. Isso é ridicularizar a inteligência do tribunal”, ironizou o relator.
Moraes também repudiou o fato de que um plano de atentado contra autoridades tenha sido elaborado dentro da sede oficial do governo brasileiro. “Não foi numa gruta, não foi escondido numa sala de terroristas. Foi no Palácio do Planalto, enquanto o presidente Jair Messias Bolsonaro estava lá”, frisou.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o Punhal Verde e Amarelo fazia parte da chamada “Operação Copa 2022”, considerada a fase mais violenta da tentativa de golpe. O documento trazia até mesmo estudos sobre a saúde de Lula e cogitava envenenamento ou uso de medicamentos para provocar um colapso.
Para Moraes, banalizar esse tipo de prova seria ignorar a dura história do Brasil. “O país levou décadas para consolidar sua democracia. Sofremos 20 anos de ditadura, com tortura, mortes e desaparecimentos. Não podemos normalizar o retorno a esse passado sombrio. E a prova é farta”, concluiu.