
Moraes reage à pressão por anistia: “Tentam chantagear a Justiça com ameaças e mentiras”
Ministro do STF critica “milicianos digitais” e diz que país enfrenta novo ensaio golpista disfarçado de patriotismo
Em seu primeiro pronunciamento após as sanções impostas pelos Estados Unidos, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, usou a tribuna da Corte nesta sexta-feira (1º) para mandar um recado direto: não vai ceder a pressões ou chantagens por anistia a golpistas condenados — tampouco aceitar tentativas de intimidação contra o Judiciário.
Com um tom firme, Moraes classificou como “milicianos do submundo do crime” aqueles que, segundo ele, vêm atacando autoridades e suas famílias. Para o ministro, essas ações representam uma clara ameaça à soberania nacional. “Atuam em redes e nos bastidores com o único objetivo de intimidar e desestabilizar o sistema democrático”, afirmou.
Segundo Moraes, o Brasil vive um novo ciclo de ataques golpistas — ainda que disfarçado de discurso patriótico. “O roteiro se repete: fomentar crise econômica, estimular o caos social e, por fim, semear instabilidade política. O objetivo final é sempre o mesmo: criar espaço para um novo golpe”, alertou o magistrado.
Sem citar nomes, Moraes ainda fez referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ao mencionar que parte desses supostos conspiradores hoje se esconde fora do Brasil, enquanto usam as redes sociais para atacar ministros da Suprema Corte e espalhar desinformação.
Pressão sobre o Senado
Moraes também criticou a movimentação política que tenta pressionar o Senado Federal a abrir processos de impeachment contra ministros do STF. Segundo ele, trata-se de uma “patética tentativa de remover juízes apenas por discordância política”. “Querem calar a Justiça para livrar aliados da responsabilidade pelos crimes que cometeram”, disse, referindo-se a tentativas de incluir Jair Bolsonaro e outros condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro em projetos de anistia.
Ainda de acordo com o ministro, não há qualquer respaldo constitucional para os pedidos de impeachment, tampouco base jurídica para conceder perdão a quem tentou subverter o Estado de Direito. “A Constituição é clara: cabe ao Supremo zelar pelas instituições. E é isso que continuaremos fazendo”, concluiu.