
Suzane desiste de faculdade na prisão e escreve carta: “Vou esperar o regime aberto”
Condenada por matar os pais, Suzane von Richthofen abandonou o curso de administração enquanto ainda estava no semiaberto; burocracia travou o sonho acadêmico
Suzane von Richthofen, condenada a quase 40 anos de prisão pelo assassinato dos pais em 2002, chegou a tentar retomar os estudos enquanto ainda cumpria pena em regime semiaberto. Em 2017, ela fez o pedido para cursar administração a distância, mas esbarrou em entraves burocráticos e acabou desistindo da ideia.
A decisão foi registrada por escrito em uma carta, na qual Suzane explicava os motivos da desistência. “Desisto de fazer faculdade aqui dentro [da prisão] por causa da demora. Tenho vontade de estudar, mas prefiro esperar a saída para o regime aberto e tentar depois”, escreveu.
Ela não foi a única a tentar: outra detenta, também condenada por homicídio, havia solicitado matrícula em pedagogia, mas igualmente acabou desistindo após meses de espera.
Naquela época, Suzane já estava no semiaberto desde 2015 e havia sido autorizada a sair temporariamente da Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, durante alguns feriados.
Reviravolta nos estudos
Apesar da desistência inicial, Suzane voltou a investir nos estudos. Começou o curso de biomedicina em 2021, ainda no semiaberto, em uma faculdade particular de Taubaté. Ela saía da prisão no fim da tarde e voltava antes da meia-noite para cumprir as regras do regime.
Já em 2023, com a progressão para o regime aberto e morando em Angatuba (SP), ela conseguiu transferir o curso para uma unidade da faculdade em Itapetininga, cidade próxima. A direção do curso avisou os alunos e professores sobre a chegada da nova aluna e pediu respeito e discrição. Mesmo com o alerta, imagens de Suzane nas dependências da instituição circularam nas redes sociais.
Relembrando o caso
Suzane foi condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen. Na época do crime, ela contou com a ajuda do então namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian Cravinhos. Ambos também foram condenados — Daniel, a 39 anos e 6 meses; Cristian, a 38 anos e 6 meses.
Daniel saiu da prisão em 2017, após conseguir o direito ao regime aberto. Cristian, por outro lado, perdeu esse benefício ao ser preso novamente naquele mesmo ano, acusado de tentar subornar policiais.