
Moraes volta a agir contra Silvinei e escancara perseguição mesmo após prisão em Brasília
Ex-diretor da PRF, já condenado e preso preventivamente, vira alvo de novo despacho do ministro, que agora pressiona presídios de Santa Catarina em mais um capítulo de arbitrariedade
Em mais um movimento que reforça a sensação de perseguição política, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os presídios de Florianópolis e São José, em Santa Catarina, informem se têm vagas para receber Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal. Atualmente, Silvinei está preso preventivamente em Brasília, após romper a tornozeleira eletrônica e deixar o país.
O ex-chefe da PRF no governo Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos e seis meses de prisão, acusado de participar da chamada “trama golpista” e de comandar operações da PRF que teriam dificultado o deslocamento de eleitores no Nordeste durante o segundo turno das eleições. Mesmo com a condenação ainda passível de recurso, Silvinei passou a ser tratado como culpado definitivo desde o início, em um processo marcado por decisões duras e pouco espaço para garantias.
Monitorado por tornozeleira enquanto aguardava o trânsito em julgado, Silvinei rompeu o equipamento no período do Natal e fugiu para o Paraguai. Foi preso por autoridades locais ao tentar embarcar para El Salvador com documentos falsos. A fuga serviu de justificativa para que Moraes decretasse sua prisão preventiva e determinasse sua transferência imediata para Brasília, onde hoje está detido na chamada “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda, dividindo cela com Anderson Torres.
Agora, mesmo já encarcerado, Moraes voltou a intervir diretamente no caso. O despacho mais recente cobra das autoridades penitenciárias catarinenses informações detalhadas sobre vagas, estrutura e condições para recebê-lo, numa decisão que soa mais como controle absoluto da vida do réu do que como simples medida administrativa.
A defesa de Silvinei pede a transferência para Santa Catarina, onde ele residia com a família, alegando razões humanitárias e de proximidade familiar. Moraes afirma avaliar o pedido, mas mantém o tom inquisitorial ao exigir laudos, relatórios e justificativas adicionais, inclusive solicitando novos esclarecimentos para que o ex-diretor possa continuar sua pós-graduação de forma remota — um direito básico que, neste caso, vira concessão condicionada.
O caso escancara o padrão que vem se repetindo: decisões concentradas, prisões preventivas prolongadas e uma condução que ignora princípios como proporcionalidade e presunção de inocência. Para críticos, o que se vê não é apenas rigor judicial, mas uma escalada de poder que transforma o processo penal em instrumento de punição antecipada.
Enquanto isso, Silvinei segue preso, longe da família, sob vigilância constante, em um cenário que alimenta a percepção de que, mais do que julgar fatos, o Supremo — ou ao menos parte dele — decidiu também escolher alvos.