
Perseguição sem limites: Moraes mira até a família de Ramagem
Esposa do deputado foragido tem celular e pertences apreendidos em ação vista como abuso e intimidação
A cena que se desenrolou no aeroporto do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (27) parece saída de um país que desaprendeu a respeitar limites. A pedido do ministro Alexandre de Moraes, o STF determinou uma operação de busca e apreensão contra Rebeca Ramagem, esposa do deputado federal Alexandre Ramagem — que hoje vive como foragido nos Estados Unidos.
Rebeca tentava embarcar com suas duas filhas, de 7 e 14 anos, quando foi surpreendida por agentes que vasculharam tudo o que ela levava: malas, computadores, celular, objetos pessoais. Ao final, tudo foi levado, como se ela fosse uma criminosa em fuga — sendo que não responde a nenhum processo, não é investigada e é servidora pública há mais de duas décadas.
Em um vídeo emocionado, ela contou como as filhas entraram em pânico, sem entender por que estavam sendo tratadas com tamanha brutalidade.
“Foi covarde. Foi humilhante. O medo que minhas filhas sentiram não dá para descrever. Nunca fui alvo de nada, nunca fui investigada. Só estou sendo punida por ser casada com meu marido”, disse Rebeca.
“A ilegalidade é ser esposa”
Nas redes sociais, ela afirmou que o único “motivo” apresentado para a ação foi justamente esse: ela ser casada com Ramagem.
E foi além: “Esses abusos cometidos por membros do STF, com ilegalidades cada vez mais absurdas e frequentes, não podem continuar”.
É o retrato de um país onde decisões judiciais parecem flertar perigosamente com perseguição pessoal, ultrapassando a fronteira do razoável e atingindo até quem não é investigado — apenas relacionado por laços familiares.
O caso Ramagem
O deputado Alexandre Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão por suposta participação em uma organização criminosa ligada ao plano de golpe pós-2022. Alegando problemas de saúde, afastou-se da Câmara… e, no mesmo período, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde permanece.
Investigações indicam que ele teria saído por Boa Vista (RR), atravessado fronteiras e seguido até chegar em solo americano.
Ex-diretor da Abin, Ramagem foi condenado por supostamente usar a agência para monitorar adversários do governo Bolsonaro. Agora, com ele longe do país, recai sobre sua família o peso de medidas extremas — e cada vez mais questionadas.