Mortes em colônia penal ucraniana elevam tensão após novo ultimato de Trump a Putin

Mortes em colônia penal ucraniana elevam tensão após novo ultimato de Trump a Putin

Ataque russo mata 17 presos na região de Zaporíjia e escancara impasse diplomático diante da pressão americana por um cessar-fogo imediato

Na noite seguinte ao novo ultimato dado por Donald Trump a Vladimir Putin, o conflito na Ucrânia registrou mais um episódio brutal: um ataque aéreo russo atingiu uma colônia penal no sul do país, matando 17 detentos e deixando ao menos 85 feridos. A ofensiva aconteceu por volta da meia-noite desta terça-feira (29) e foi rapidamente classificada pelo governo ucraniano como “mais um crime de guerra”.

O bombardeio ocorreu na Colônia Penal de Bilenke, localizada na região de Zaporíjia — uma das áreas anexadas ilegalmente pela Rússia e reivindicadas por Moscou como parte de seu “pacote” de exigências para um eventual cessar-fogo. Embora a prisão tenha capacidade para abrigar mais de 200 pessoas, não se sabe quantos presos estavam no local no momento do ataque. Foram usadas quatro bombas planadoras, armamento comum nas fases iniciais da guerra, mas que havia sido deixado de lado recentemente em favor do uso de drones.

A tragédia coincide com um momento de tensão diplomática crescente. Após meses de tentativas frustradas de diálogo com Putin, Trump elevou o tom e deu um novo prazo de 10 a 12 dias para o fim da guerra — bem mais curto que os 50 dias oferecidos anteriormente. Segundo o republicano, ele está cansado de “boas conversas seguidas por mísseis caindo sobre Kiev”.

Apesar da pressão internacional e de três rodadas de negociação realizadas com apoio da Turquia, os avanços concretos são mínimos. Até agora, os encontros resultaram apenas na troca de prisioneiros e de corpos de soldados mortos — enquanto a guerra segue seu curso sangrento.

O Kremlin, por sua vez, reagiu com cautela ao ultimato americano. O porta-voz Dmitri Peskov declarou que “tomou nota” da nova declaração de Trump, mas evitou novos comentários. Segundo fontes próximas ao governo russo, há uma tentativa de “ganhar tempo” dentro do prazo dado pelos Estados Unidos, aproveitando o momento para avançar estrategicamente em regiões como Donetsk e Dnipropetrovsk, esta última nem sequer mencionada nas exigências oficiais de Putin.

Enquanto isso, a retórica agressiva de Moscou continua. O ex-presidente russo Dmitri Medvedev acusou os Estados Unidos de “brincarem de guerra” com seus ultimatos, e a Ucrânia, por meio do chefe de gabinete da presidência Andrii Iermak, respondeu afirmando que Putin precisa ser sufocado com sanções econômicas e pressões militares “para que não tenha mais capacidade de atacar”.

Para complicar ainda mais o cenário, um ataque hacker atribuído a grupos pró-Ucrânia e Belarus paralisou parte da aviação russa na segunda-feira (28), obrigando a estatal Aeroflot a cancelar mais de 50 voos. A guerra, cada vez mais, transborda os campos de batalha e invade o espaço aéreo, diplomático e digital — com consequências cada vez mais imprevisíveis.

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