
Motim na Câmara: Corregedor inicia apuração e punições podem chegar a seis meses de suspensão
Deputados que paralisaram os trabalhos por mais de 30 horas são alvo de representação; corregedor tem prazo curto para analisar e decidir próximos passos
A Corregedoria da Câmara começou nesta segunda-feira (11) a investigação sobre 14 deputados federais que protagonizaram um motim, bloqueando as atividades da Casa por mais de 30 horas como protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A pressão política e o impacto da paralisação chamaram atenção, e agora os parlamentares enfrentam a possibilidade de terem seus mandatos suspensos por até seis meses.
O corregedor Diego Coronel (PSD-BA) recebeu as representações encaminhadas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e deve apresentar um parecer até quarta-feira. Ele também planeja se reunir com Motta e outros membros da Mesa Diretora para discutir o andamento do processo.
Entre os deputados investigados estão nomes conhecidos da oposição, como Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Júlia Zanatta (PL-SC), denunciados por partidos como PT, PSB e PSOL. A reação foi uma ocupação prolongada das Mesas Diretoras da Câmara, sem respaldo no regimento interno, mas defendida pelo PL como um ato “pacífico e legítimo”.
A suspensão do mandato pode acontecer rapidamente devido a uma mudança no regimento da Câmara, que permite que, quando a representação parte da Mesa Diretora, a apuração seja acelerada — reduzindo de meses para poucos dias o tempo de análise.
Após a avaliação da Corregedoria, o caso será enviado ao Conselho de Ética, que terá até três dias úteis para votar as sanções. Caso as punições incluam suspensão, os deputados ainda podem recorrer ao plenário da Câmara, que decidirá em votação final.
Além dos deputados da oposição, a corregedoria também avaliará o caso da deputada Camila Jara (PT-MS), denunciada pelo PL por um incidente de agressão física durante o tumulto, embora seu caso não esteja diretamente relacionado ao motim.
Essa crise política na Câmara reflete o clima tenso no Congresso, onde a oposição tenta pautar temas como anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado, além do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes — pauta que não encontra apoio entre os líderes.