
Motta tenta calar críticas, vai à Justiça — e leva um “não”
📣 Presidente da Câmara queria remover outdoors que o acusavam de blindar políticos, mas juiz lembrou que figura pública não está acima do escrutínio do povo
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), decidiu bater às portas da Justiça Federal da Paraíba para tentar derrubar os outdoors espalhados pelo Estado que o criticavam diretamente por apoiar a chamada PEC da Blindagem. A tentativa, porém, fracassou: o pedido foi negado.
A decisão partiu da 4ª Vara Federal, sob responsabilidade do juiz Vinícius Costa Vidor, que ainda marcou uma audiência nesta quarta-feira (27) para reunir os envolvidos. A reunião aconteceu, mas não houve qualquer acordo.
Os outdoors mostravam a foto do presidente da Câmara ao lado de frases duras como:
“Eles votaram sim para proteger políticos que cometeram crimes” e “O povo não vai esquecer isso”.
As peças eram assinadas pelo Sintef-PB, sindicato dos trabalhadores federais da educação básica e profissional.
Nas redes sociais, o Sintef-PB não recuou um milímetro:
“Tentar silenciar manifestações é medo de enfrentar o debate público. Manifestação não é crime — é um direito constitucional. Não vão calar a voz do povo.”
Motta, representado juridicamente pela Advocacia da Câmara, argumentou que os outdoors ultrapassavam os limites da liberdade de expressão e tinham caráter difamatório.
Não colou.
O juiz destacou exatamente o oposto: que uma autoridade com papel de destaque nacional deve aceitar críticas mais duras, principalmente quando envolvem uma proposta legislativa polêmica cuja condução está sob sua responsabilidade. Para o magistrado, o conteúdo não tinha objetivo de difamar, mas sim de expressar indignação política, completamente legítima em uma democracia.
As peças estavam instaladas em cidades como Campina Grande e Cajazeiras, e mencionavam também outros deputados da bancada paraibana. Apesar da vitória judicial do sindicato, os outdoors já foram retirados.