
Mourão mantém posição sobre indicação ao STF após reunião com Jorge Messias
Senador Hamilton Mourão reafirma voto contrário ao indicado de Luiz Inácio Lula da Silva e destaca coerência institucional
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) manteve sua posição contrária à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, mesmo após uma reunião direta com o indicado do governo. O encontro ocorreu na última sexta-feira (17) e marcou o primeiro contato entre ambos desde que o nome foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Mourão, a conversa foi respeitosa e institucional, mas não alterou seu posicionamento. O senador afirmou que já havia deixado claro anteriormente que não apoiaria a indicação, mantendo coerência com sua atuação no Senado.
Reunião após pressão de diferentes setores
O encontro aconteceu após insistência de diversas autoridades e interlocutores políticos, incluindo membros do Judiciário e das Forças Armadas. Mourão relatou que recebeu um “sem número” de pedidos para dialogar com Messias, o que o levou a aceitar a reunião.
Ainda assim, o senador ressaltou que o diálogo não implica mudança de voto. Ele destacou que adota o mesmo critério utilizado em outras indicações feitas por Lula ao STF, como as de Cristiano Zanin e Flávio Dino, com quem também se reuniu anteriormente.
Debate sobre cenário institucional
Durante a conversa, Mourão afirmou que abordou temas relacionados ao atual ambiente institucional do país, incluindo críticas ao que considera fragilidades no cumprimento do devido processo legal.
O senador também mencionou discussões envolvendo os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro, citando nomes como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Walter Braga Netto. Segundo ele, o indicado ouviu os pontos apresentados e buscou demonstrar compromisso com atuação isenta no Supremo.
Sabatina no Senado se aproxima
A indicação de Jorge Messias ainda passará por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa essencial antes da votação em plenário. Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos favoráveis.
Apesar da resistência de parte da oposição, aliados do governo avaliam que há apoio suficiente para a aprovação.
Postura de independência
A posição de Mourão reforça sua atuação independente dentro do Senado, especialmente em temas ligados ao Judiciário e à separação de poderes. Ao manter seu voto mesmo após diálogo direto com o indicado, o senador sinaliza alinhamento com sua linha de análise institucional e política.
O episódio evidencia o clima de articulação em torno das indicações ao STF, um processo que envolve não apenas critérios técnicos, mas também avaliações políticas e institucionais que influenciam diretamente o equilíbrio entre os Poderes no país.