
“NÃO FALEI NEM 1% DO QUE SEI”: ROBERTA LUCHSINGER DIZ TER PROVAS E PROMETE NÃO SE CALAR SOBRE LULA E LULINHA
Em vídeo publicado após entrevista à CNN Brasil, empresária afirma que três inquéritos sob segredo de Justiça a impedem de revelar mais detalhes; Planalto nega as acusações e diz que Lula nunca manteve interlocução com ela
A empresária e lobista Roberta Luchsinger voltou a movimentar o cenário político brasileiro neste domingo, 18 de outubro de 2026, ao afirmar que revelou apenas uma pequena parte do que sabe sobre os fatos que estão sendo investigados pela Polícia Federal. Após conceder uma entrevista à CNN Brasil, exibida no sábado, dia 17, Roberta publicou um vídeo nas redes sociais para reafirmar suas declarações e sustentar que possui provas relacionadas às acusações que fez contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
“O que eu disse não foi nem 1% do que eu sei”, declarou a empresária. Segundo ela, existem três inquéritos que tramitam sob segredo de Justiça, motivo pelo qual não poderia apresentar publicamente todos os detalhes e documentos que afirma conhecer.
“Tudo que falei está nos inquéritos. Não sou louca. Falei porque estou munida de provas”, afirmou Roberta, reiterando que não pretende provocar tumulto, mas que também não aceitará continuar, segundo suas palavras, “apanhando calada”.
A declaração elevou a repercussão de uma entrevista na qual a empresária criticou duramente Lula, contestou manifestações do presidente a seu respeito e afirmou que pretende buscar um acordo de colaboração premiada. A possibilidade de delação, porém, ainda depende de negociação com as autoridades competentes e do cumprimento dos requisitos legais. Até o momento, as declarações públicas não equivalem à comprovação judicial das acusações.
ROBERTA DIZ QUE AINDA TEM MUITO A REVELAR
Na entrevista concedida aos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco, da CNN Brasil, Roberta Luchsinger afirmou que decidiu falar depois de ser alvo de críticas públicas. Ela reagiu especialmente às declarações de Lula, que a chamou de “pilantra”, e acusou o presidente de distorcer os fatos ao falar sobre sua relação com pessoas próximas ao governo.
A empresária afirmou que Lulinha teria se encontrado diversas vezes com integrantes do primeiro escalão do governo federal. Também contestou a versão de que o filho do presidente não teria mantido os contatos que ela diz ter presenciado.
Roberta ainda manifestou interesse em colaborar com as investigações por meio de uma delação premiada. Uma eventual colaboração precisaria ser formalizada, avaliada pelas autoridades e acompanhada de informações verificáveis. A simples manifestação de interesse não significa que um acordo tenha sido fechado, nem que as acusações já tenham sido confirmadas.
Ao divulgar o vídeo no domingo, ela procurou reforçar a mensagem de que não teria contado tudo o que sabe. Segundo Roberta, a existência de procedimentos sigilosos impede que ela apresente publicamente os elementos que afirma estarem reunidos nos inquéritos.
A declaração deixa uma questão central para as investigações: quais informações, documentos e testemunhos poderão ser apresentados formalmente às autoridades, e se esse material será capaz de confirmar ou não as alegações feitas pela empresária.
A INVESTIGAÇÃO ENVOLVE ROBERTA, LULINHA E O CASO DO INSS
Roberta Luchsinger é investigada em procedimentos que apuram sua relação com Fábio Luís Lula da Silva e com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O nome de Antunes ganhou destaque nas investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo descontos associativos e possíveis repasses financeiros relacionados ao esquema investigado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo informações divulgadas pela imprensa, uma das linhas investigativas envolve a suspeita de que Roberta teria atuado como intermediária em repasses e na aproximação de pessoas interessadas em negócios com integrantes do poder público. Também foram relatadas suspeitas sobre possíveis pagamentos a Lulinha. Essas hipóteses fazem parte do contexto investigativo e não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.
Reportagens também apontaram que um depoimento atribuído ao empresário Edson Claro mencionou supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil a Lulinha, que teriam sido intermediados por Roberta. Trata-se de uma alegação relatada no âmbito das investigações, cuja comprovação, origem e eventual responsabilidade dos envolvidos dependem da apuração e da análise das provas.
Outro ponto citado em reportagens diz respeito a encontros que Roberta afirma ter presenciado entre Lulinha e integrantes do governo. A empresária sustenta que o presidente teria faltado com a verdade ao negar ou minimizar esses contatos. Lula, por sua vez, nega conhecer os fatos relatados por ela e contesta as acusações.
É importante separar os diferentes níveis de informação: há investigações em andamento, declarações atribuídas a pessoas ouvidas e acusações feitas publicamente. A existência de uma investigação não prova, por si só, que os crimes suspeitos ocorreram ou que todos os citados tenham cometido irregularidades.
ROBERTA AFIRMA QUE LULA MENTIU E REAGE ÀS CRÍTICAS
Durante a entrevista, Roberta fez críticas contundentes ao presidente. Ela classificou como injusto o tratamento recebido e contestou a maneira como Lula se referiu a ela publicamente. Também afirmou que o presidente estaria errado ao falar sobre os encontros que, segundo ela, envolveram seu filho e integrantes do governo.
As declarações ampliaram o embate entre a empresária e o Palácio do Planalto. Roberta insiste que tem informações e provas capazes de sustentar suas afirmações. O governo, entretanto, nega que Lula tenha mantido interlocução com ela e rejeita a versão apresentada.
A repercussão ganhou dimensão ainda maior por ocorrer na semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O momento eleitoral tornou as acusações parte do debate político, mas não substitui a necessidade de comprovação documental e investigação independente.
A fala de Roberta — de que não revelou nem 1% do que sabe — também aumenta a expectativa sobre os próximos passos. Caso ela decida formalizar uma colaboração premiada, será necessário verificar quais fatos pretende relatar, que documentos poderá entregar e se as informações serão corroboradas por outros elementos de prova.
PLANALTO NEGA CONTATO E QUESTIONA O MOMENTO DAS DECLARAÇÕES
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou uma nota afirmando que Lula desconhece os fatos relatados por Roberta Luchsinger. Segundo o governo, o presidente “jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas”.
O Planalto também afirmou que não existe contrato do governo federal com a empresária e questionou o momento em que as declarações foram divulgadas, a poucos dias do segundo turno eleitoral.
Na manifestação, a Presidência declarou que denúncias sem comprovação já foram utilizadas em outros processos eleitorais para influenciar a opinião pública. O governo classificou como irresponsável qualquer tentativa de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.
A posição oficial contrasta diretamente com o que Roberta afirma. Enquanto ela sustenta que possui provas e que parte das informações estaria nos inquéritos sigilosos, o Planalto nega a interlocução e diz que Lula desconhece os fatos mencionados.
As duas versões precisam ser consideradas na cobertura do caso. A resposta definitiva depende da apuração dos órgãos competentes, do conteúdo dos procedimentos investigativos e de eventuais provas que possam ser examinadas formalmente.
O QUE PODE ACONTECER AGORA
A possibilidade de uma delação premiada é um dos pontos que mais despertam interesse no caso. Para que uma colaboração tenha consequências jurídicas, não basta que a pessoa anuncie publicamente que deseja delatar. É necessário que haja negociação com as autoridades, formalização nos termos legais e apresentação de informações relevantes, sujeitas à verificação.
Se Roberta apresentar documentos, mensagens, registros financeiros ou relatos sobre encontros e tratativas, o material precisará ser confrontado com outras provas e com as versões dos demais envolvidos. Pessoas citadas em declarações também devem ter oportunidade de apresentar esclarecimentos e exercer seus direitos.
O segredo de Justiça mencionado por Roberta limita a divulgação pública de detalhes dos inquéritos. Por isso, não é possível concluir, apenas com base em suas declarações, qual seria o conteúdo integral das provas alegadas ou quais pessoas poderiam ser responsabilizadas.
O caso envolve temas de interesse público: a apuração de possíveis irregularidades relacionadas ao INSS, a eventual circulação de recursos, as relações entre empresários e agentes públicos e a necessidade de transparência na administração federal. A gravidade das suspeitas exige investigação rigorosa, sem transformar alegações em condenações antecipadas.
UMA DECLARAÇÃO QUE COLOCA MAIS PRESSÃO SOBRE A INVESTIGAÇÃO
Ao afirmar que não revelou nem 1% do que sabe, Roberta Luchsinger deixou claro que pretende sustentar publicamente sua versão e que atribui a existência de informações adicionais aos inquéritos em andamento. A fala mantém o caso no centro do debate político e aumenta a cobrança por esclarecimentos objetivos.
O ponto decisivo, no entanto, não será o peso das declarações nas redes sociais nem a intensidade das críticas trocadas entre os envolvidos. Será a capacidade de apresentar provas verificáveis, esclarecer os fatos e estabelecer, dentro do devido processo legal, se houve irregularidades e quem eventualmente participou delas.
Enquanto Roberta diz estar munida de provas, o Planalto nega as acusações e afirma que Lula não manteve interlocução com ela. Até que os elementos sejam examinados pelas autoridades, as declarações devem ser tratadas como alegações ainda sujeitas à apuração.
O país aguarda respostas sobre o caso do INSS e sobre as relações que estão sendo investigadas. Se houver provas de irregularidades, elas precisam ser apuradas com seriedade, independentemente de partidos, cargos ou vínculos pessoais. Se as acusações não forem confirmadas, isso também deverá ser esclarecido. A transparência e a responsabilização baseada em evidências são essenciais para que a investigação avance sem ser substituída por disputas eleitorais.