
Netanyahu discute com Marco Rubio ofensiva dos EUA contra o Tribunal Penal Internacional
Primeiro-ministro israelense afirma que o TPI ameaça a justiça internacional e acusa o órgão de Haia de submeter a segurança dos países a decisões de funcionários que considera corruptos
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (26) que conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre a campanha do governo norte-americano para enfraquecer e desmantelar o Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, nos Países Baixos.
Segundo Netanyahu, Rubio teria reiterado a disposição dos Estados Unidos de agir de forma firme contra a instituição. A declaração foi feita durante uma reunião do governo israelense, antes da viagem do primeiro-ministro a Washington, onde ele deverá se encontrar com o presidente norte-americano, Donald Trump.
“Ontem à noite falei com o secretário de Estado Marco Rubio, que reiterou a intenção dos Estados Unidos de agir com firmeza contra esta organização”, afirmou Netanyahu, segundo comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro israelense.
Netanyahu acusa TPI de ameaçar a justiça internacional
Na mesma declaração, Benjamin Netanyahu fez duras críticas ao Tribunal Penal Internacional. Para o primeiro-ministro israelense, o órgão não estaria contribuindo para o fortalecimento da justiça internacional, mas colocando em risco a segurança dos países e submetendo decisões estratégicas a funcionários que ele classificou como corruptos.
Netanyahu também defendeu que outras nações sigam a iniciativa norte-americana contra o tribunal.
A ofensiva política contra o TPI ocorre em um momento de forte tensão envolvendo o tribunal e autoridades israelenses. O órgão internacional emitiu mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e contra o ex-ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, em investigação relacionada a supostos crimes de guerra no contexto da guerra na Faixa de Gaza.
Israel rejeita as acusações e considera as decisões do tribunal politicamente motivadas.
Crise envolvendo Karim Khan
Netanyahu também comentou a saída de Karim Khan do cargo de procurador do Tribunal Penal Internacional. A destituição ocorreu após acusações de conduta sexual imprópria contra o magistrado.
O primeiro-ministro israelense afirmou que Khan teria usado os procedimentos contra Israel para desviar a atenção das acusações que enfrentava.
Segundo Netanyahu, o procurador teria tentado reunir apoio de grupos que, na avaliação do líder israelense, seriam contrários a Israel e utilizado os processos como uma forma de proteção política.
“Fê-lo para desviar as atenções, para reunir à sua volta todos os que odeiam Israel e, essencialmente, para criar uma couraça protetora”, declarou Netanyahu.
O primeiro-ministro acrescentou que, em sua avaliação, a crise teria exposto problemas que não estariam restritos à Procuradoria, mas alcançariam a própria estrutura do Tribunal Penal Internacional.
Viagem a Washington e encontro com Donald Trump
Benjamin Netanyahu viajará nesta segunda-feira (27) para Washington, a convite de Donald Trump. A agenda inclui a participação no funeral do senador Lindsey Graham e uma reunião com o presidente dos Estados Unidos.
O encontro entre Netanyahu e Trump será realizado em um momento de elevada tensão geopolítica e de agravamento das hostilidades entre Washington e Teerã.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro israelense, os dois líderes deverão discutir diversos temas da agenda internacional, incluindo a situação envolvendo o Irã e os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio.
A reunião também terá peso político por ser o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde o início da guerra conjunta contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, segundo as informações divulgadas.
Enquanto isso, Israel permanece em estado de alerta diante do aumento das tensões regionais.
Guerra em Gaza permanece no centro das críticas internacionais
A ofensiva diplomática de Netanyahu contra o Tribunal Penal Internacional ocorre paralelamente à continuidade da guerra na Faixa de Gaza, iniciada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Sob o governo de Benjamin Netanyahu, as forças israelenses realizaram uma ampla campanha militar no território palestino. O conflito provocou destruição em larga escala, deslocamento de grande parte da população e milhares de mortes.
De acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza citados no material, mais de 73.300 pessoas morreram e aproximadamente 7.500 permanecem desaparecidas. A ofensiva israelense também foi classificada como genocídio por uma comissão independente ligada às Nações Unidas e por organizações internacionais.
Israel rejeita a acusação de genocídio e sustenta que suas operações militares têm como objetivo combater o Hamas, grupo responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023.
TPI enfrenta pressão política e institucional
O Tribunal Penal Internacional vive um dos períodos de maior pressão desde sua criação. A instituição é responsável por investigar e julgar indivíduos acusados de crimes considerados graves pelo direito internacional, como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
A atuação do tribunal em casos envolvendo líderes de diferentes países tem provocado reações políticas e diplomáticas. A emissão de mandados contra Netanyahu e Yoav Gallant aumentou a tensão entre Israel e o TPI, enquanto a posição de Washington contra o órgão amplia o debate sobre os limites e a independência da Justiça Penal Internacional.
A crise envolvendo Karim Khan acrescentou uma nova camada de instabilidade à instituição. As acusações contra o procurador e sua saída do cargo passaram a ser utilizadas por críticos do tribunal como argumento para questionar sua estrutura e seus procedimentos.
Confronto entre soberania nacional e Justiça internacional
O embate entre Netanyahu, o governo de Donald Trump e o Tribunal Penal Internacional representa uma disputa mais ampla sobre a relação entre a soberania dos Estados e a atuação de instituições internacionais.
De um lado, governos como Israel e Estados Unidos defendem que organismos internacionais não devem interferir em decisões consideradas estratégicas para a segurança nacional. De outro, defensores do TPI sustentam que crimes de guerra e crimes contra a humanidade precisam ser investigados independentemente da posição política ou do poder dos envolvidos.
A conversa entre Benjamin Netanyahu e Marco Rubio indica que Washington e Telavive pretendem intensificar a pressão contra o Tribunal Penal Internacional. O tema deverá voltar ao centro das discussões durante a reunião entre Netanyahu e Donald Trump, em Washington.
Enquanto as tensões continuam no Oriente Médio, o conflito entre Israel e o TPI também se transforma em uma disputa diplomática de alcance internacional, envolvendo Estados Unidos, Israel, autoridades palestinas e diferentes governos que acompanham o futuro da Justiça Penal Internacional.