
Nova delação de Daniel Vorcaro traz à tona financiamento de filme sobre Bolsonaro e amplia pressão sobre aliados do ex-presidente
Banqueiro afirma que patrocínio ao filme “Dark Horse” ocorreu de forma regular, mas investigação continua analisando o destino final dos recursos
A nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a colocar o filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, no centro das atenções. O tema gerou forte repercussão nos bastidores políticos de Brasília e levantou novos questionamentos sobre a movimentação financeira envolvendo pessoas próximas ao ex-chefe do Executivo.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Igor Gadelha, Vorcaro decidiu incluir detalhes sobre o patrocínio da obra cinematográfica em sua nova colaboração com as autoridades. A iniciativa ocorreu após o vazamento de mensagens e conversas que revelaram tratativas entre o banqueiro e o senador Flávio Bolsonaro sobre o financiamento do projeto.
De acordo com interlocutores próximos ao empresário, Vorcaro sustenta em sua delação que a negociação foi realizada de maneira regular, sem favorecimentos, vantagens indevidas ou qualquer tipo de contrapartida política. A versão apresentada pela defesa afirma que o apoio financeiro ao filme teria seguido critérios considerados legais e transparentes.
A delação detalha ainda que os recursos destinados ao projeto foram enviados para um fundo localizado nos Estados Unidos. O dinheiro teria sido transferido por uma empresa ligada ao banqueiro para o fundo offshore Havengate, que possui como representante legal o advogado Paulo Calixto, conhecido por atuar na defesa de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano.
Apesar das explicações fornecidas por Vorcaro, aliados do banqueiro admitem que a colaboração esclarece apenas o percurso do dinheiro até o momento do pagamento do patrocínio. O destino final dos recursos e a forma como eles teriam sido efetivamente utilizados na produção do filme ainda permanecem sob questionamento.
Nos bastidores da investigação, esse ponto continua sendo considerado sensível. Integrantes da Polícia Federal analisam se os valores enviados tiveram exclusivamente relação com a produção audiovisual ou se parte dos recursos pode ter sido direcionada para outras finalidades.
As suspeitas investigadas incluem a possibilidade de utilização de parte do montante para custear despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Além disso, investigadores também apuram se houve eventual financiamento de atividades de articulação política junto a integrantes do governo norte-americano e setores ligados ao ex-presidente Donald Trump.
A nova proposta de colaboração premiada foi oficialmente entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no dia 1º de junho. Agora, a expectativa da defesa de Vorcaro é receber uma resposta das autoridades nos próximos dias sobre a validade e o alcance das informações apresentadas.
O caso segue sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Recentemente, o magistrado autorizou um regime ampliado de acesso dos advogados ao banqueiro para facilitar a construção e o aperfeiçoamento da nova proposta de colaboração.
Enquanto a análise avança, a delação de Daniel Vorcaro passa a ser vista como uma das peças mais relevantes dentro das investigações relacionadas ao Banco Master. Dependendo da avaliação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, os desdobramentos poderão atingir personagens centrais do cenário político nacional e ampliar o alcance das apurações já em andamento.
Por ora, o que existe são investigações e hipóteses em análise pelas autoridades. Não há conclusão oficial que comprove irregularidades no patrocínio do filme “Dark Horse” ou no destino dos recursos mencionados na delação.