
Flávio Bolsonaro diz ser alvo de perseguição e afirma representar “ameaça ao sistema”
Pré-candidato à Presidência compara sua situação à do pai, critica a imprensa e apresenta propostas para educação, economia e segurança pública
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (23) que é alvo de perseguição política por representar uma suposta “ameaça ao sistema”. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, em meio à repercussão de informações sobre um pagamento de R$ 500 mil feito por uma empresa ligada a um empresário envolvido no caso do Banco Master.
Flávio afirmou que as críticas contra ele seriam desproporcionais e que o cenário teria relação com sua intenção de disputar a Presidência.
“Eu sou claramente uma pessoa altamente perseguida. Não é agora, sei disso desde lá de trás. Nunca reclamei de ser questionado de nada, mas o que está acontecendo agora é algo completamente desproporcional”, declarou.
O senador afirmou ainda que adversários políticos tentariam impedir sua chegada ao Palácio do Planalto. Para sustentar a tese, comparou sua situação à trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Flávio, o “modus operandi” seria semelhante ao que, em sua avaliação, teria sido utilizado contra Jair Bolsonaro. Ele afirmou que, apesar das resistências, um integrante da família Bolsonaro voltará à Presidência em 2027.
“Não querem Flávio Bolsonaro na Presidência da República, mas sinto informar a todos eles que vai ter Bolsonaro subindo a rampa do Palácio do Planalto em 2027. Quem vai colocar a faixa em Flávio Bolsonaro chama-se Jair Messias Bolsonaro”, disse.
Críticas à imprensa
Durante a transmissão, Flávio também criticou parte da imprensa e afirmou que haveria um tratamento desproporcional contra ele e sua família.
O senador disse respeitar o trabalho dos jornalistas, mas acusou parte da imprensa de manter uma postura ideológica contrária ao bolsonarismo. Também afirmou que estaria sendo julgado publicamente mesmo sem ser, segundo ele, alvo de investigação formal.
Flávio questionou ainda informações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e mencionou o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, ao fazer uma comparação sobre a cobertura de casos envolvendo pessoas próximas a políticos.
O senador afirmou que não é investigado e declarou ser “ficha limpa”. Também criticou a quebra de sigilos relacionados a ele e ao seu escritório de advocacia.
Propostas para educação e economia
Durante a live, Flávio apresentou algumas propostas que pretende defender caso seja eleito presidente.
Na educação, afirmou que pretende revisar o currículo escolar e retomar o programa de escolas cívico-militares, criado durante o governo de Jair Bolsonaro e posteriormente descontinuado na gestão Lula.
Na área econômica, defendeu uma revisão das faixas de tributação do Simples Nacional. O senador afirmou que pretende reduzir o impacto da mudança de faixa sobre pequenos empresários e estimular o empreendedorismo.
Flávio também disse que pretende utilizar a Caixa Econômica Federal como instrumento de estímulo à mobilidade social e prometeu realizar um “tesouraço” em portarias para reduzir a burocracia federal.
Segurança pública
O senador também apresentou propostas mais duras na área da segurança pública. Entre elas está a defesa do aumento da pena mínima para crimes relacionados ao roubo e à receptação de celulares.
Flávio afirmou ainda que pretende ampliar o sistema penitenciário brasileiro com a criação de 500 mil novas vagas.
As declarações fazem parte da estratégia do senador para consolidar sua pré-candidatura à Presidência e apresentar uma plataforma baseada em segurança pública, redução da burocracia, fortalecimento do empreendedorismo e retomada de políticas associadas ao governo de Jair Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, a fala sobre suposta perseguição política reforça uma das principais linhas de comunicação do bolsonarismo: a apresentação de seus representantes como alvos de um sistema político e institucional que, segundo seus integrantes, tentaria impedir o avanço eleitoral do grupo.