
Quando a Urgência Vira Palanque
Lula descobre o feminicídio às vésperas da eleição — após casos brutais que chocaram o país
A poucos meses das eleições, em meio a uma sequência de episódios de violência contra mulheres que fariam qualquer país sério parar, Lula decidiu finalmente se manifestar. Só agora, depois que uma mulher levou cinco tiros dentro de uma escola e outra teve as duas pernas amputadas após ser arrastada por um quilômetro, o presidente resolveu posar de defensor das mulheres — como se tivesse acordado hoje para a tragédia que cresce ano após ano no Brasil.
Durante um evento no Ceará, Lula declarou que “vagabundo que bate em mulher não precisa votar nele”. Um discurso inflamado que, dito tão em cima da hora, parece mais ensaio de campanha do que compromisso real.
Ele afirmou que vai agir como um “soldado” nessa luta — mas é difícil não notar que, até ontem, esse soldado estava desarmado, silencioso, e só agora lembrou de vestir o uniforme.
Um discurso forte — e tardio
Lula disse que atitudes violentas contra mulheres não podem ser tratadas como “normais”. A questão é: desde quando isso é novidade?
Nos últimos dias, o país assistiu a um festival de horror:
- Um homem descarregou uma pistola numa escola e matou duas mulheres.
- Uma mãe grávida, com três filhos, morreu queimada dentro de casa por um ataque criminoso.
- Uma jovem foi atropelada propositalmente e arrastada até perder as duas pernas.
Enquanto isso, o feminicídio só cresce. Ano após ano. Governo após governo. Lei após lei que não é cumprida.
Lágrimas, televisão e discurso
Lula contou que Janja chorou várias vezes nos últimos dias ao assistir às notícias. Disse que ela pediu que ele assumisse “responsabilidade” nessa luta.
Mas fica o incômodo no ar:
por que esse pedido só vira ação quando a repercussão explode e a eleição bate na porta?
Falar é fácil. Difícil é ter política pública funcionando, proteção eficaz, punição rápida, acolhimento real — tudo o que o Brasil ainda não oferece, e não desde ontem.
Os casos que explodiram o noticiário
Lula citou os três crimes que chocaram o país. Eles foram:
- RJ: Duas mulheres assassinadas dentro de uma escola federal por um servidor armado com uma Glock.
- Recife: Uma mulher e quatro crianças morreram queimadas após o companheiro incendiar 20 casas.
- SP: Tainara Souza, 31 anos, foi atropelada de propósito e arrastada por 1 km pela Marginal Tietê, sobrevivendo com amputações.
Cada caso, por si só, já seria uma mancha no país. Juntos, formam um retrato devastador.
O problema é maior que discurso
É importante denunciar? Sim.
É importante endurecer o tom? Claro.
Mas repetir frases de efeito não muda o fato de que o Brasil continua sendo um dos países onde mais se mata mulheres no mundo — e que esse problema não começou ontem, nem será resolvido com bravatas na véspera das urnas.
O país não precisa de um “soldado”.
Precisa de governo funcionando.
E as mulheres brasileiras, que já enterraram demais, não podem esperar pela próxima comoção nacional para que alguém em Brasília finalmente acorde.