Novo ministro promete “combater o crime”, mas o país já ouviu esse discurso antes

Novo ministro promete “combater o crime”, mas o país já ouviu esse discurso antes

Wellington Lima diz que enfrentamento ao crime organizado será “ação de Estado”; na teoria é firme, na prática o Brasil ainda espera

Em seu primeiro pronunciamento no cargo, o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o combate ao crime organizado passará a ser tratado como uma verdadeira “ação de Estado”. O discurso foi feito nesta quinta-feira (15), no Palácio do Planalto, cercado de autoridades e palavras fortes — aquelas que soam bem aos ouvidos, mas que o brasileiro já aprendeu a ouvir com cautela.

Segundo o ministro, a ideia agora é envolver todos os Poderes no enfrentamento ao crime, incluindo Judiciário e Ministério Público. Na mesa da reunião estavam o presidente Lula, o ministro do STF Alexandre de Moraes, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O encontro também abordou o escândalo envolvendo o Banco Master.

No papel, tudo parece muito coordenado. Na prática, fica a dúvida: vai mudar algo de fato ou será mais um capítulo de promessas bem formuladas e resultados tímidos?

Discurso forte, realidade conhecida

Wellington Lima afirmou que o Estado “não se furtará” a enfrentar situações como fraudes financeiras e organizações criminosas. Disse ainda que a gravidade do crime organizado exige uma atuação conjunta e permanente de todas as instituições.

Até aí, nada de novo. O próprio ministro reconheceu que Polícia Federal e Receita já atuam, mas que sozinhas não conseguem ir longe. Segundo ele, sem o aval do Ministério Público e do Judiciário, as ações não produzem efeitos reais.

O problema é que esse argumento, embora correto, vem sendo repetido há anos — enquanto o crime continua avançando, se adaptando e, muitas vezes, parecendo mais eficiente que o próprio Estado.

Entre a promessa e a prática

O anúncio acontece num contexto que alimenta o ceticismo popular. Afinal, o mesmo governo que agora fala em endurecer contra o crime concedeu indulto natalino a presos e autorizou a compra de dezenas de televisões smart para presídios federais. Medidas legais, é verdade — mas que contrastam com o discurso de rigor e firmeza.

Fica a sensação de que o combate ao crime é sempre prioridade nos microfones, mas relativizado nas decisões concretas. O brasileiro, calejado, observa e espera: será diferente desta vez?

Currículo não falta, cobrança também não

Experiente, Wellington Lima já foi ministro da Justiça no governo Dilma, procurador-geral de Justiça da Bahia e ocupou cargos de destaque no Executivo. Tem formação sólida em Direito Penal e Criminologia e passagem pelo combate ao crime organizado no papel institucional.

Agora, o desafio é transformar o discurso em ação real. Porque no Brasil, prometer combate ao crime é fácil. Difícil é provar, na prática, que desta vez não será tudo… exatamente como antes.

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