Júri absolve ex-vereadora PT acusada de matar o marido em Santa Catarina

Júri absolve ex-vereadora PT acusada de matar o marido em Santa Catarina

Caso julgado em Chapecó dividiu jurados, mobilizou famílias e terminou com libertação imediata da ré

A ex-vereadora Adriana Terezinha Bagestan, do município de Paial, foi absolvida pelo Tribunal do Júri da acusação de ter assassinado o próprio marido, Sedinei Wawcziniak, com um tiro na cabeça. O julgamento ocorreu no Fórum da Comarca de Chapecó e foi encerrado na noite de quarta-feira (11), após cerca de 12 horas de sessão.

A decisão dos jurados foi apertada: quatro votos pela absolvição e três pela condenação. Com a leitura da sentença, Adriana foi colocada em liberdade imediatamente, após passar meses presa preventivamente. O Ministério Público ainda pode recorrer.

Crime, investigação e julgamento

O caso remonta à madrugada de maio de 2025 (ou junho, conforme versões do processo), quando Sedinei foi encontrado morto dentro da residência do casal, na zona rural de Paial. Segundo a investigação, ele foi atingido por um disparo de arma de fogo enquanto dormia. No imóvel também estavam os dois filhos do casal, então com 6 e 12 anos.

Após o crime, Adriana deixou a casa, levando as crianças para a residência de familiares, e fugiu em seguida. Ela acabou localizada dias depois em uma área rural de Chapecó, onde foi presa e permaneceu detida até o julgamento.

Durante o júri, familiares da vítima acompanharam a sessão desde as primeiras horas do dia. Do lado de fora e nas redes sociais, parentes de Sedinei contestaram versões que apontavam histórico de violência doméstica, defendendo a memória do homem.

Tese da defesa e decisão dos jurados

A defesa, representada pelo advogado Cleiber Renato Cagliari, sustentou duas teses centrais: legítima defesa e a chamada “inexigibilidade de conduta diversa”, argumento jurídico que busca afastar a culpa ao afirmar que a pessoa não tinha outra alternativa diante da situação vivida.

Os jurados acolheram essa linha de argumentação por maioria simples, levando à absolvição da ex-vereadora.

Eleita em 2020 para a Câmara Municipal de Paial, Adriana havia declarado ao Tribunal Superior Eleitoral que exercia a profissão de agricultora à época do registro da candidatura.

O caso teve grande repercussão regional e segue cercado de controvérsia. Embora a Justiça tenha encerrado o julgamento em primeira instância, o desfecho ainda pode ser reavaliado, caso o Ministério Público decida recorrer da decisão.

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