Ocupar para ser ouvido: Sem-teto invadem sede da Localiza em defesa de justiça tributária

Ocupar para ser ouvido: Sem-teto invadem sede da Localiza em defesa de justiça tributária

Protesto em BH cobra taxação dos super-ricos, critica benefícios fiscais a grandes empresas e pede mais investimentos em serviços públicos essenciais

Com faixas, cartazes e vozes firmes, manifestantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e da Frente Povo Sem Medo de Minas Gerais ocuparam, na manhã da última quinta-feira (10), o saguão da sede da Localiza, no bairro Cachoeirinha, em Belo Horizonte. O ato, encerrado no mesmo dia, foi um grito coletivo contra o que chamam de “injustiça tributária no Brasil”.

O protesto teve como principal bandeira a cobrança de impostos dos super-ricos — os que ganham mais de R$ 50 mil por mês — e o fim dos privilégios fiscais dados a grandes corporações, que, segundo os organizadores, continuam recebendo incentivos enquanto falta dinheiro para saúde, educação e moradia popular.

A escolha da Localiza, uma das gigantes do setor de aluguel de veículos, não foi por acaso. De acordo com os organizadores, a empresa é beneficiada por incentivos fiscais do governo de Minas Gerais, mesmo diante de cortes em áreas sociais essenciais. Os manifestantes também denunciaram o governador Romeu Zema (Novo), acusando sua gestão de favorecer empresas ligadas a seus aliados políticos.

A Localiza preferiu não comentar a manifestação. Já o governo estadual afirmou que os incentivos fazem parte de uma política fiscal legal, usada para atrair empresas, gerar empregos e tornar o estado competitivo diante da disputa entre as unidades da federação.

O protesto se insere em um debate nacional: o projeto do governo federal que reformula o Imposto de Renda. A proposta, enviada ao Congresso, isenta quem ganha até R$ 5 mil por mês, mas, para equilibrar as contas, propõe a taxação de pessoas com renda acima de R$ 600 mil por ano — os chamados super-ricos. A expectativa do governo é arrecadar mais de R$ 25 bilhões em 2026 com a medida.

Na ponta oposta da riqueza, os manifestantes querem apenas o básico: impostos mais justos, menos favorecimento às grandes fortunas e mais dignidade para quem vive à margem do sistema.

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