
Padre Júlio Lancellotti vira alvo de denúncia sobre suposto uso de dinheiro da Igreja em despesas judiciais
Representação enviada à Arquidiocese de São Paulo questiona pagamentos ligados a processo pessoal do sacerdote e aumenta pressão sobre atuação política do religioso
O padre Júlio Lancellotti passou a enfrentar uma nova polêmica após uma representação encaminhada à Arquidiocese de São Paulo questionar o suposto uso de recursos da Igreja para custear despesas judiciais pessoais.
A denúncia foi apresentada pelo vereador Thomaz Henrique, que afirma ter anexado comprovantes bancários indicando pagamentos feitos com recursos da Paróquia São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo.
Segundo o parlamentar, duas guias de arrecadação estadual relacionadas a um processo movido por Lancellotti teriam sido pagas com dinheiro da paróquia. Os pagamentos apontados na denúncia seriam de R$ 450 e R$ 1.200, realizados ao longo de 2024.
Arquidiocese confirma recebimento da denúncia
Em nota oficial, a Arquidiocese confirmou que recebeu a representação canônica e informou que o conteúdo será analisado pelas instâncias competentes da Igreja Católica.
O caso aumentou a repercussão política em torno do nome de Júlio Lancellotti, que há anos mantém forte atuação social junto à população em situação de rua, mas também acumula críticas de setores conservadores e parlamentares ligados à direita.
Nos bastidores políticos, adversários do sacerdote afirmam que a denúncia levanta questionamentos sobre a separação entre atuação religiosa, militância política e uso de recursos da instituição religiosa.
Processo contra vereadora motivou debate
Os valores mencionados na denúncia estariam ligados a um processo movido por Lancellotti contra a vereadora Janaina Ballaris. Na ação, o padre acusava a parlamentar de calúnia e difamação após críticas públicas relacionadas à sua atuação social e política.
O sacerdote pedia indenização por danos morais, mas o pedido acabou rejeitado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Procurado pela imprensa, Júlio Lancellotti declarou que não tinha conhecimento das informações apresentadas na representação encaminhada à Cúria Metropolitana.
Críticas à atuação política do padre voltam ao debate
A nova controvérsia reacendeu críticas de opositores que acusam o sacerdote de ultrapassar os limites da atuação religiosa ao participar frequentemente de debates políticos e sociais.
Aliados do vereador Thomaz Henrique defendem que a Igreja deve investigar com rigor qualquer suspeita envolvendo recursos da paróquia. Já apoiadores de Lancellotti afirmam que o padre tem sido alvo constante de ataques políticos por causa de sua atuação em pautas sociais e direitos humanos.
Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não informou prazo para conclusão da análise da denúncia.