
Ricardo Salles amplia crise na direita e acusa grupo de Valdemar de corrupção no governo Bolsonaro
Em entrevista explosiva, deputado do Novo ataca Eduardo Bolsonaro, cita supostos acordos financeiros e afirma que aliados do PL “roubavam” no Ministério dos Transportes
O racha interno no campo bolsonarista ganhou novos capítulos após declarações do deputado federal Ricardo Salles, que disparou críticas contra Eduardo Bolsonaro e contra o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Durante entrevista ao podcast IronTalks, Salles afirmou, sem apresentar provas, que integrantes ligados ao PL teriam participado de esquemas de corrupção dentro do Ministério dos Transportes e do DNIT em governos anteriores. A declaração elevou a tensão entre grupos da direita paulista e aprofundou o conflito envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Salles, o governador paulista Tarcísio de Freitas teria evitado se filiar ao PL justamente por conhecer os bastidores do partido na área de infraestrutura federal.
“Quem fazia a corrupção do DNIT no Ministério dos Transportes? O PL do seu Valdemar”, afirmou o parlamentar durante a entrevista. Em seguida, ele declarou que Tarcísio “fez uma limpa” quando assumiu a área de infraestrutura no governo Bolsonaro.
Ataques diretos a Eduardo Bolsonaro agravam disputa interna
Além das acusações contra o grupo de Valdemar, Salles concentrou críticas em Eduardo Bolsonaro. O deputado do Novo acusou o filho do ex-presidente de ter agravado a situação política do bolsonarismo ao intensificar ataques ao Supremo Tribunal Federal e ampliar articulações internacionais nos Estados Unidos.
Salles negou qualquer tentativa de aproximação com o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que também foi alvo de operações da Polícia Federal, incluindo buscas em sua residência, gabinete e imóveis de familiares.
O ex-ministro ainda afirmou que Eduardo Bolsonaro teria “fugido” para os Estados Unidos em meio ao avanço das investigações envolvendo aliados bolsonaristas após os atos de 8 de janeiro de 2023. Em um dos momentos mais duros da entrevista, Salles classificou Eduardo como “desequilibrado” e criticou a estratégia adotada pelo grupo mais radical da direita.
Suspeitas sobre acordos políticos e financeiros
Outro trecho da entrevista que causou repercussão ocorreu quando Salles insinuou a existência de possíveis acordos financeiros envolvendo articulações políticas dentro da direita paulista.
Sem apresentar evidências concretas, o deputado mencionou rumores que circulam nos bastidores da Câmara dos Deputados sobre negociações envolvendo apoio político para a disputa ao Senado em São Paulo.
As declarações surgem em meio à crise provocada pelo apoio de Eduardo Bolsonaro ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado, nome ligado ao PL e ao grupo político de Valdemar Costa Neto.
A movimentação irritou setores bolsonaristas próximos de Ricardo Salles, que enxergam a articulação como uma aproximação excessiva entre o bolsonarismo e partidos do Centrão.
Clima de divisão preocupa aliados da direita
Os ataques públicos entre lideranças conservadoras expõem um cenário de crescente fragmentação dentro da direita brasileira. De um lado, grupos ligados ao núcleo tradicional do PL tentam consolidar alianças regionais para 2026. De outro, parlamentares como Ricardo Salles ampliam o discurso de confronto e acusam antigos aliados de práticas políticas que antes criticavam.
Até o momento, Eduardo Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e André do Prado não responderam oficialmente às acusações feitas por Ricardo Salles.