
Pai de Henry Borel reage com indignação ao perdão dado a Monique: “Mataram meu filho pela terceira vez”
Leniel Borel critica decisão da Justiça, promete recorrer da sentença e afirma que caso abre precedente perigoso para crimes contra crianças
A decisão da Justiça do Rio de Janeiro que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, provocou forte reação de Leniel Borel, pai do menino que morreu em março de 2021 e cujo caso comoveu todo o país. Em tom de profunda revolta e tristeza, ele afirmou que o filho foi “morto pela terceira vez” após o desfecho do julgamento.
O pronunciamento ocorreu poucas horas depois de o Tribunal do Júri concluir um dos julgamentos mais longos e acompanhados da história recente do Brasil. Enquanto o ex-vereador Dr. Jairinho foi condenado a mais de 43 anos de prisão, Monique recebeu perdão judicial após o crime de homicídio doloso ser desclassificado para homicídio culposo pelos jurados.
“Mataram meu filho pela terceira vez”, diz Leniel
Em vídeos divulgados nas redes sociais, Leniel Borel não escondeu sua indignação com a decisão.
Segundo ele, o julgamento produziu uma mensagem perigosa para a sociedade e para a proteção das crianças.
“Hoje eu venho dizer que mataram meu filho pela terceira vez. Henry representa milhares de crianças vítimas de violência. Uma decisão como essa pode abrir precedentes para que outras crianças não sejam protegidas como deveriam”, afirmou.
O pai de Henry também questionou os argumentos utilizados para justificar o perdão concedido à mãe do menino, especialmente as referências feitas ao sofrimento enfrentado por ela ao longo dos últimos anos.
Julgamento histórico terminou após 11 dias
O caso chegou ao fim após onze dias de sessões intensas no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Durante esse período, jurados ouviram testemunhas, peritos, policiais, médicos, familiares e os próprios acusados. O processo revisitou detalhes da investigação que concluiu que Henry sofreu agressões antes de morrer, em 8 de março de 2021, quando tinha apenas quatro anos de idade.
Ao final da votação dos jurados, Dr. Jairinho foi considerado culpado pelos crimes relacionados à morte da criança e recebeu uma pena superior a 43 anos de prisão.
A defesa do ex-vereador informou que pretende recorrer da condenação, alegando que a decisão não refletiu adequadamente as provas apresentadas durante o julgamento.
Monique recebeu perdão judicial e deixará a prisão
No caso de Monique Medeiros, os jurados entenderam que não houve homicídio doloso. A acusação principal foi reclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
A magistrada responsável pelo caso decidiu conceder perdão judicial, extinguindo a pena referente a esse crime.
Monique foi responsabilizada apenas por omissão em relação às torturas sofridas pelo filho. Como ela já havia permanecido presa por período superior à pena aplicada, a Justiça determinou sua soltura imediata.
Juíza citou perseguição e ataques sofridos por Monique
Na fundamentação da sentença, a magistrada destacou que Monique enfrentou forte exposição pública ao longo dos últimos cinco anos.
Segundo a decisão, a mãe de Henry foi alvo de intenso julgamento social, ataques nas redes sociais e situações consideradas excessivas durante todo o andamento do processo.
A juíza afirmou que houve uma perseguição contínua à acusada e apontou que ela enfrentou um cenário de hostilidade pública que ultrapassou os limites do processo judicial.
Pai de Henry rebate justificativas da decisão
As justificativas apresentadas pela magistrada foram duramente contestadas por Leniel Borel.
Para ele, a discussão não deveria estar centrada na repercussão pública do caso, mas na responsabilidade daqueles que tinham o dever de proteger a criança.
“Quem tinha a obrigação de proteger o Henry estava dentro daquele apartamento. Quem deveria garantir sua segurança era sua própria mãe”, declarou.
A fala reflete a posição que Leniel mantém desde o início das investigações, quando passou a cobrar responsabilização integral dos envolvidos na morte do filho.
Acusação também quer anular parte do julgamento
A insatisfação com o resultado não se limita à família de Henry.
Os advogados que atuaram como assistentes da acusação anunciaram que também pretendem recorrer da decisão.
Entre os argumentos apresentados está a alegação de que houve falhas na formulação dos quesitos submetidos aos jurados, o que pode ter influenciado diretamente o resultado da votação.
Caso os recursos sejam aceitos pelas instâncias superiores, partes do julgamento poderão ser reavaliadas futuramente.
Caso Henry continua gerando debates no país
Mais de cinco anos após a morte do menino, o caso Henry Borel continua despertando fortes emoções e dividindo opiniões.
Enquanto a condenação de Jairinho foi vista por muitos como uma resposta da Justiça diante da gravidade dos fatos, o perdão concedido a Monique reacendeu discussões sobre responsabilidade parental, omissão diante da violência infantil e os limites do perdão judicial no sistema jurídico brasileiro.
Mesmo com o encerramento do júri, a batalha judicial ainda está longe do fim. Recursos já foram anunciados por diferentes partes do processo, o que indica que o caso continuará sendo acompanhado de perto pela sociedade e pelas autoridades nos próximos meses.