Palco internacional não substitui responsabilidade

Palco internacional não substitui responsabilidade

Ex-juiz Samer Agi cobra coerência de Wagner Moura e o desafia a falar sobre a fraude no INSS

A vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro, pelo filme O Agente Secreto, foi amplamente celebrada no meio artístico. O talento do ator, aliás, não foi colocado em dúvida pelo advogado e ex-juiz Samer Agi. Pelo contrário: o reconhecimento veio acompanhado de um elogio direto. O problema, segundo Agi, começa quando o palco vira tribuna política sem compromisso com as reais dores do país.

Usando suas redes sociais, onde reúne cerca de 2,4 milhões de seguidores, Samer Agi reagiu às declarações feitas por Wagner Moura após a premiação. Para o ex-magistrado, o prêmio foi merecido — mas a fala, não. Em tom crítico, afirmou que o reconhecimento internacional deu visibilidade ao ator, mas não trouxe a sabedoria necessária para usar esse espaço de forma construtiva.

A crítica central está no fato de Moura ter escolhido atacar Jair Bolsonaro em um momento de projeção global, deixando de lado temas que afetam diretamente milhões de brasileiros. Para Agi, a oportunidade poderia ter sido usada para denunciar problemas concretos, como a fraude bilionária no INSS, assunto que atinge aposentados, trabalhadores e famílias inteiras.

“O que essa fala ajudou o Brasil?”, questionou o ex-juiz, ao afirmar que o discurso do ator apenas aprofundou divisões em um país já polarizado. Na visão de Agi, figuras públicas com alcance internacional deveriam buscar união, empatia e foco em pautas que realmente impactam a população.

Como provocação final, Samer Agi lançou um desafio direto: se Wagner Moura vencer o Oscar, que use o microfone para falar da fraude no INSS. Para ele, isso sim seria um gesto de grandeza — usar a arte e a fama para dar voz a quem não tem palco algum.

A posição do ex-juiz reforça um argumento incômodo para muitos no meio artístico: prestígio não isenta responsabilidade, e engajamento político sem coerência pode soar menos como consciência social e mais como oportunismo seletivo.

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