
Paulinho da Força reage a declaração de Lula e afirma que presidente está “gagá” após fala sobre reforma trabalhista
Presidente do Solidariedade cobra retratação de Lula após ser citado durante convenção do PT e afirma que votou contra a reforma trabalhista de Michel Temer; declaração amplia troca de críticas entre antigos aliados.
O presidente nacional do Solidariedade e deputado federal Paulinho da Força (SP) reagiu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) feitas durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada no último domingo (2), e afirmou que o chefe do Executivo “está gagá” ao atribuir a ele apoio à reforma trabalhista aprovada durante o governo do ex-presidente Michel Temer.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (3), Paulinho contestou a afirmação feita por Lula, declarou que votou contra a proposta e pediu que o presidente reconheça o equívoco e faça uma retratação pública.
Declaração ocorreu durante convenção do PT
Durante o discurso em que foi oficializado candidato à reeleição, Lula criticou a reforma trabalhista aprovada em 2017 e mencionou Paulinho da Força ao abordar o tema.
Segundo o presidente, o parlamentar teria participado da articulação em favor da proposta que alterou diversos dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Após a repercussão da fala, Paulinho afirmou que a informação não corresponde ao histórico de sua atuação parlamentar.
Paulinho nega apoio à reforma
Em resposta às declarações de Lula, o deputado afirmou que seu posicionamento foi contrário à reforma trabalhista durante a tramitação da matéria no Congresso Nacional.
Segundo ele, o registro oficial das votações demonstra que não apoiou o projeto encaminhado pelo governo Michel Temer.
O parlamentar também afirmou que sempre defendeu os direitos dos trabalhadores ao longo de sua trajetória política e sindical.
Pedido de retratação
Na nota divulgada à imprensa, Paulinho declarou esperar que Lula reconheça o erro.
“Espero sinceramente que, informado sobre a verdade, o presidente Lula faça um pedido de desculpas.”
Segundo o deputado, a correção pública seria importante para evitar a divulgação de informações incorretas sobre sua atuação no Congresso.
Histórico político
Paulinho da Força é uma das principais lideranças sindicais do país e presidente licenciado da Força Sindical, central criada na década de 1990.
Ao longo de sua carreira, manteve relação política próxima a diferentes governos e participou de diversas negociações envolvendo reformas trabalhistas, políticas de emprego e temas ligados ao movimento sindical.
Nos últimos anos, porém, sua relação com o PT passou por períodos de aproximação e afastamento, especialmente em disputas eleitorais e votações no Congresso Nacional.
Reforma trabalhista continua sendo tema de debate
A reforma trabalhista aprovada em 2017 permanece como um dos temas mais controversos da política brasileira.
Defensores da medida afirmam que as mudanças modernizaram a legislação trabalhista, ampliaram modalidades de contratação e deram maior segurança jurídica às relações de trabalho.
Já os críticos sustentam que diversos dispositivos reduziram direitos trabalhistas, enfraqueceram a negociação coletiva e precarizaram as relações entre empregados e empregadores.
O tema voltou ao centro do debate durante a campanha eleitoral, sendo frequentemente citado por candidatos e lideranças políticas ao discutirem propostas para o mercado de trabalho.
Convenção marcou início da campanha
A declaração de Lula ocorreu durante a Convenção Nacional do PT, evento que oficializou sua candidatura à reeleição e confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como companheiro de chapa.
No discurso, o presidente também abordou temas como soberania nacional, investimentos em defesa, emendas parlamentares, combate à violência contra as mulheres e planejamento de longo prazo para o país.
A menção a Paulinho da Força, entretanto, gerou reação imediata do parlamentar e acrescentou um novo capítulo às divergências entre os dois líderes políticos.
Até o momento, a Presidência da República não havia se manifestado publicamente sobre o pedido de retratação apresentado pelo deputado federal.